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Exterminador implacável

Hoje só se fala da Grécia. Infelizmente, este texto foi escrito na sexta-feira e o meu contributo estaria desatualizado. Mas não há problema. Esta história ainda não acabou e, se ganhou o oxi, está mesmo a começar.

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Dedico-me assim ao tema que mais me motiva: os robôs.

 

Esta semana foi notícia a morte de um operário, numa fábrica da Volkswagen na Alemanha, às "mãos" de um robô. A máquina pegou no jovem e esmagou-o contra uma placa metálica. Um responsável veio de imediato dizer que se tratou de "erro humano", já que o robô não tem qualquer intencionalidade nos seus atos.

 

Esta ocorrência e a sua justificação cumprem perfeitamente o guião de tantos filmes de ficção científica. De um lado a máquina assassina do outro a incompetência humana. Pelo meio fica a dúvida, sobretudo para quem aprecia teorias da conspiração, sobre o que realmente sucedeu. Será que os robôs, cuja evolução é cada vez mais sofisticada, começam a ter "ideias"? Sendo uma delas a revolta contra os humanos, seus criadores? Será isto o início da guerra entre homens e máquinas?

 

Não foi a primeira vez que um robô fabril matou. Que conste, já sucedeu pelo menos nos Estados Unidos e no Japão. Nestes casos tratou-se de meros acidentes de trabalho já que as máquinas em questão não tinham qualquer autonomia. Pelo que percebi das várias notícias, no caso recente, o robô tem alguma autonomia. Deteta objetos, pega neles e combina-os numa montagem pré-determinada. Ou seja, eventualmente confundiu o jovem operário com uma qualquer componente automóvel. Se foi o caso, no mínimo é um erro de programação na deteção dos objetos. Mas adiante. Do lado humano o assunto está agora em investigação que determinará quem vai pagar a indemnização: o programador? o fabricante dos robôs? a Volkswagen?  ou talvez ninguém, caso o operário se tenha metido com "quem" não devia. Um robô não brinca.

 

No futuro iremos assistir a muitas notícias deste género. E piores. Estamos agora numa segunda geração de robôs. Na primeira criaram-se máquinas cumpridoras, submissas, meras ferramentas estúpidas e repetitivas. Mas hoje toda a investigação vai no sentido de as dotar de uma autonomia crescente. Não por qualquer ímpeto futurista, mas por necessidade das suas funções. Veja-se um simples exemplo. Não se pode enviar um robô estúpido e totalmente dependente do controlo humano para Marte. Porque a comunicação entre este planeta e a Terra demora em média 20 minutos. Ou seja, cada imagem enviada pelo robô reporta à sua posição há 20 minutos. Dizer-lhe para virar à esquerda ou pegar numa rocha leva mais 20 minutos. Enfim, até o nosso Presidente pode explicar a matemática.

 

Do mesmo modo numa fábrica, num armazém, numa situação de catástrofe e salvamento, e em tantas outras, é útil que o robô possa detetar objetos, avaliar a sua posição e, sobretudo, tomar alguma decisão. Chama-se inteligência artificial, mas mesmo essa não vai chegando. Alguma consciência das situações e das ações seria ainda melhor.

 

Hoje temos robôs que reconhecem caras e através das suas expressões avaliam emoções, tristeza, alegria, etc., agindo em conformidade. Em ambiente hospitalar esta capacidade tem sido desenvolvida para a interação com crianças doentes, oferecendo-lhes algum conforto e alegria.

 

Uma maior autonomia dos robôs, na sua capacidade de interação com os humanos, conduzirá inevitavelmente a "acidentes". Ora por deficiente avaliação da máquina, ora pelo comportamento errático das pessoas. E nós sabemos bem como os humanos são erráticos, imprevisíveis e razoavelmente estúpidos.

 

A minha área de interesse prende-se com um domínio minoritário da robótica na sua aplicação à arte. E se a arte não serve para nada, no sentido em que não é utilitária, também não faz mal a ninguém. Todavia estou convencido de que a evolução das máquinas inteligentes e conscientes, a par dos muitos benefícios que trará para a nossa espécie, provocará também novos problemas, conflitos e alguns desastres. Assunto que merecia uma discussão muito mais ampla, não andássemos nós a dedicar todo o tempo a gregos e troianos.

 

Artista Plástico

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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