António Moita
António Moita 25 de fevereiro de 2018 às 18:30

Fazer o mal de uma só vez 

Decorrida apenas uma semana sobre a sua entrada em funções, Rui Rio parece estar a seguir a máxima de Maquiavel, segundo a qual "quando tiver de fazer algum mal a alguém, faça-o todo de uma só vez. A dor será intensa, mas apenas uma."

Entre o dia da eleição e a realização do Congresso, o novo presidente do PSD não esteve parado. Preparou tudo cautelosamente. Desde o conteúdo dos discursos que fez, passando pela escolha das pessoas que o vão acompanhar, até às reuniões que teve em Belém e em São Bento, tudo foi preparado para mostrar ao país que o PSD mudou radicalmente. A eleição muito sofrida de Fernando Negrão veio ajudar a compor a mensagem. Ninguém me convence de que a escolha de Elina Fraga não foi feita com o objetivo de "partir a loiça" rapidamente. Sim, porque de outra forma seria difícil de explicar.

 

Rui Rio quer recolocar o PSD ao centro e para isso precisa de estar próximo de António Costa. Ou, pelo menos, parecer que está. Os votos dos eleitores que fazem ganhar eleições estão ao centro e não são com posições extremadas que se irão reconquistar. Além de criar insegurança aos partidos da esquerda como se viu de imediato.

 

A agitação nos meios sociais-democratas produz efeitos internos e externos. Internamente Rui Rio venceu em quase todos os distritos e, até 2019, tem a estrutura controlada. Ou não fosse ele a mandar na composição do próximo grupo parlamentar. Externamente o resultado é diferente. A contestação que deputados, normalmente antigos ministros, fazem a Rui Rio contribui para reforçar a sua liderança. Ou já nos esquecemos de que o país, além de não nutrir grande simpatia por deputados, se zangou com o governo de Passos Coelho com destaque, entre outros, para Maria Luís Albuquerque e Paula Teixeira da Cruz. Cada vez que estas surgirem a atacar, Rui Rio verá aumentada a sua popularidade.

 

Rui Rio sabe o que quer e como fazer. Como ele próprio diz, é em ambientes de pressão e de confronto que se sente melhor ou, diria eu, que se sente feliz. Depois de arrumar rapidamente a casa veremos se tem algo de diferente a propor aos portugueses. Mais do que vagas formulações de boas intenções. Só aí será possível antever o resultado de 2019. Até lá vamo-nos divertindo.

 

Jurista

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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