Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Joaquim Aguiar 12 de Novembro de 2018 às 19:50

Fragmentação do Ocidente

A actual liderança americana conduziu a sociedade para a vizinhança de um ponto de guerra civil, que não será disputada para impedir novas vagas migratórias.

  • Partilhar artigo
  • ...

A FRASE...

 

"É difícil defender a democracia e os valores ocidentais sem a liderança americana. O nacionalismo ganha de novo terreno na Europa."

 

Teresa de Sousa, Público, 11 de Novembro de 2018

A ANÁLISE...

 

A actual liderança americana já não defende os valores ocidentais. Defende os valores da supremacia branca na América, que não são valores da democracia pluralista ocidental nem podem ser os valores da sociedade americana que foi configurada por sucessivas vagas migratórias e que evoluiu, em acordo com as suas normas constitucionais, por processos de inclusão das diversas etnias e de difusão por todas dos direitos de cidadania. A actual liderança americana conduziu a sociedade para a vizinhança de um ponto de guerra civil, que não será disputada para impedir novas vagas migratórias, mas sim para excluir do estatuto de cidadão americano os que, tendo nascido nos Estados Unidos e sendo titulares dos direitos de cidadania, só podem ser discriminados com a abertura de uma crise constitucional - e este seria o ponto de guerra civil.

 

A actual liderança americana já não defende os valores da liberdade no comércio mundial. Defende as barreiras proteccionistas do nacionalismo económico, restringindo as relações económicas a um jogo de soma nula, no qual o que um pode ganhar terá de ser o que outros terão de perder. Em que antes estava uma potência hegemónica que fazia das relações de aliança e de cooperação o método de alargamento da sua área de influência, constituindo-se como um império benigno, que dominava sem colonizar, e está agora um poder nacionalista, que se encerra nas suas fronteiras, e um poder militar mercenário, que se aluga mediante pagamento. A América grande outra vez já não defende os valores ocidentais, defende os valores da sua etnia branca gerando a América mais pequena de sempre, que procura exportar o seu modelo nacionalista para a Europa, fragmentando-a em pequenas unidades e gerando a Europa mais pequena de sempre.

 

O paradoxo que está dentro desta mudança radical em direcção ao racismo e ao nacionalismo é que agrava o que pretende resolver. No fim da segunda década do século XXI, a etnia branca na América será minoritária. O nacionalismo económico, na América e, por maioria de razão, na Europa, condena ao isolamento nos mercados internos, sem escala para sustentar o crescimento. Mais do que nunca, são necessários os valores ocidentais do pluralismo político na democracia e do pluralismo rácico na sociedade - o contrário do que defende a actual liderança americana.  

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Outras Notícias