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Paulo Carmona 29 de Setembro de 2016 às 00:01

Frango é frango…

Talvez os pobres prefiram que se fale menos neles e na assistência social do Estado, e que se resolvam os seus problemas de emprego digno e não precário para deixarem de ser pobres, assistidos.

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A FRASE...

 

"O Governo compreende as expectativas dos sindicatos, mas avisa que, neste momento,

o 'bem maior' é a estabilidade orçamental e o cumprimento do défice 'abaixo dos 3%' acordados com as instituições europeias."

 

Adalberto Campos Fernandes, Comissão Parlamentar de Saúde, 27 setembro 2016

 

A ANÁLISE...

 

Feliz o país cujo Governo assume o seu campo de possibilidades. Seja por acordo, exigências ou entendimento, com ou sem memorando, a importância de ter contas equilibradas é um garante de soberania, defendendo e fortalecendo o Estado para a execução das suas políticas sociais.

 

Os PEC de José Sócrates, o Memorando de Entendimento assinado pelos partidos do antigo "arco da governação", os aumentos brutais de Vítor Gaspar, e a gestão esforçada deste Governo tiveram um só objetivo, reduzir o défice abaixo dos 3%. Chamemos-lhe rigor, austeridade ou estabilidade orçamental, frango é frango. Assado com piripiri ou servido com compaixão numa canja, todos temos de o comer, mesmo que não gostemos ou estejamos habituados a bife, fiado.

 

Porque o bem maior é a estabilidade orçamental e a Europa, que nos compra a dívida, manda e manda muito. E tem mandado, e continuará a mandar sermos regrados, isto é, não gastarmos mais do que produzimos, pois já o fizemos em demasia. E felizmente que uma das grandes vantagens do atual Governo foi ter calado, ou domesticado, aqueles que clamavam contra a Europa e que Portugal andava curvado e era um moço obediente… a posição não mudou, a semântica sim.

 

Porque nada de fundo mudou na gestão financeira do Estado nos últimos seis anos. Fala-se sempre demais e depois… sobe-se impostos e corta-se despesa na retaguarda, seja em salários reais, pensões ou investimento público. E acabamos a falar nos ricos e nos pobres. Talvez os pobres prefiram que se fale menos neles e na assistência social do Estado, e que se resolvam os seus problemas de emprego digno e não precário para deixarem de ser pobres, assistidos. Contudo esses problemas só se resolvem com crescimento, com confiança, com poupança, com investimento que gere emprego sustentável, com aquilo que tarda em aparecer, há 16 anos…

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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