Jorge Fonseca de Almeida
Jorge Fonseca de Almeida 13 de junho de 2018 às 09:53

Fundos que não respeitam as regras europeias

A Better Finance publicou recentemente uma lista de fundos que praticam uma estratégia de investimento fraudulenta denominada "Closet index", isto é, fundos que anunciam que gerem ativamente a sua carteira, mas que depois se limitam a seguir um indexante bolsista.

Porque o fazem? Porque seguir um indexante bolsista é uma estratégia mais simples e segura e mais barata porque não exige um investimento elevado em tecnologia nem custos salariais em analistas e especialistas.

 

Mas ao anunciar que gerem ativamente a sua carteira atraem clientes que procuram maiores rentabilidades e, acima de tudo, clientes dispostos a pagar comissões mais altas na esperança de que o fundo tenha especialistas de mercado e tecnologia informática que lhe permita retornos superiores à média.

 

Desta forma enganam os potenciais clientes e conseguem obter comissões elevadas sem a contrapartida de procurar rentabilidades mais altas para os clientes.

 

A Better Finance denunciou o tema em 2014 e a ESMA investigou o tema, mas manteve um preocupante silêncio sobre os resultados do seu trabalho. Agora a própria Better Finance investigou estas práticas fraudulentas e publicou os nomes dos fundos que assim atuam.

 

Na sequência dessa denúncia a autoridade inglesa para o mercado de capitais, a FCA (Financial Conduct Authorithy, o regulador comportamental britânico do setor financeiro), tomou a decisão corajosa de obrigar 64 fundos sediados no Reino Unido a pagar indemnizações aos detentores de Unidades de Participação.

 

Os reguladores portugueses não se pronunciaram ainda no sentido de identificar os fundos deste tipo comercializados em Portugal, alertar os clientes e potenciais clientes e forçar a implementação das regras europeias no mercado português. Era importante que o fizessem para dissipar suspeitas que possam recair sobre a maioria de fundos sérios que atuam no nosso mercado.

 

A Better Finance é uma federação europeia que agrega as associações de investidores e utilizadores de produtos financeiros. A sua missão passa pela defesa dos interesses dos consumidores de produtos financeiros. O único membro português da Better Finnance é a Associação dos Investidores e Analistas Técnicos do Mercado de Capitais (ATM) sediada no Porto.

 

Economista

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado 1-Venda de “Gato por Lebre” nos Fundos Há 6 dias

Em referência ao artigo acima:

APOIADO, em meu nome pessoal, como investidor em Fundos e como cidadão que deseja viver num País Livre, Trabalhador, dinâmico e criativo- mas sem "espertezas saloias" e matreirices desonestas, em prejuízo de quem confia de boa fé, mas não está em condições de poder verificar;

APOIADO, em nome dos testemunhos que ouvi a numerosos Profissionais do setor dos Fundos de Investimento (FIMs), com quem tive a honra de colaborar como colega ao longo de 25 anos de atividade
na tentativa de servir o melhor possível :l

1)-Os Clientes dos Fundos, a protegerem e a multiplicarem as suas poupanças;

2)- O País, a estimular o aumento da poupança; a democratizar a Gestão de Ativos contrariando o agravamento de um dos fatores sistemáticos de diferença no crescimento de patrimónios.

comentários mais recentes
4-Venda de “Gato por Lebre” nos Fundos Há 6 dias

Mas é lógico não deixar de perguntar:

Será justificado apelar para a CMVM,
isto quando a concorrência entre as gestoras
em princípio tende a fazer com que as “lebres” sejam de facto vendidas ao merecido preço de “lebres”
e que os “gatos” não sejam vendidos ao preço fraudulento de “lebres”, mas sim ao real e merecido preço de “gatos”?

De facto, nos EUA onde a maior parte dos FIMs são vendidos por intermediários independente dos bancos, e competindo intensamente entres si, a intensidade da concorrência não tolera por muito tempo a venda de “gato por lebre”.

Em Portugal é diferente:
82% dos ativos dos FIMs são geridos por gestoras ligadas a bancos.
Será ilegal o conluio deliberado entre estes - concedendo-se o benefício da dúvida de supor que na realidade conluio não existirá.

5-Venda de “Gato por Lebre” nos Fundos Há 6 dias

Mas é um facto que, num clima permissivo de laxismo e “nacional porreirismo”,
ninguém assume o odioso de denunciar o vizinho por práticas que também leva a cabo
ou não exclui a hipótese de vir a levar.

E em acréscimo, uma concorrência forte entre bancos no domínio das comissões,
arriscar-se-ia para os mesmos, em não compensar os sacrifícios,
dada a escassa probabilidade de os Clientes mudarem de banco por diferenças de comissões
que, poderão ser efectivamente exorbitantes em termos relativos,
mas que passam desapercebidas em termos absolutos.

Portanto:
Em Portugal , no contrariar e impedir a venda de “Gato por Lebre”,
não se poderá passar sem a intervenção enérgica e sistemática da CMVM.

1-Venda de “Gato por Lebre” nos Fundos Há 6 dias

Em referência ao artigo acima:

APOIADO, em meu nome pessoal, como investidor em Fundos e como cidadão que deseja viver num País Livre, Trabalhador, dinâmico e criativo- mas sem "espertezas saloias" e matreirices desonestas, em prejuízo de quem confia de boa fé, mas não está em condições de poder verificar;

APOIADO, em nome dos testemunhos que ouvi a numerosos Profissionais do setor dos Fundos de Investimento (FIMs), com quem tive a honra de colaborar como colega ao longo de 25 anos de atividade
na tentativa de servir o melhor possível :l

1)-Os Clientes dos Fundos, a protegerem e a multiplicarem as suas poupanças;

2)- O País, a estimular o aumento da poupança; a democratizar a Gestão de Ativos contrariando o agravamento de um dos fatores sistemáticos de diferença no crescimento de patrimónios.

2-Venda de “Gato por Lebre” nos Fundos Há 6 dias

Os FIMs tinham na maior gestora do setor, uma penetração no universo de Clientes potenciais que,
não há muito, pouco ultrapassava os 4%,
quando nos EUA ultrapassam os 40% e na Suécia os 70%.

Em época de taxas de juro, sem “papas na língua”,objetivamente miseráveis - os Fundos, pelas maiores expectativas de rendibilidades que podem oferecer,
constituem um relevante estimulo para poupar
e para contrariar tendências que uns poupem substancialmente mais do que outros,
e acabem a vida ativa também com patrimónios justa mas desmesuradamente mais elevados.

Mas para que os Clientes entreguem as suas poupanças aos FIMs , o mais essencial é que tenham CONFIANÇA em quem os gere - obviamente em termos de competência técnica, mas também, e não menos relevante, em termos de confiança que não lhes estão a ser cobradas comissões
correspondentes a uma qualidade de Lebre (gestão ativa),
quando os custos efetivamente incorridos correspondem a uma qualidade de Gato (gestão passiva).

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