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Pedro Dionísio 21 de Julho de 2015 às 18:50

Futebol e praia: dois valores da marca Portugal

Este domingo, pela primeira vez, Portugal ganhou um título mundial de futebol sénior, mais concretamente o de futebol de praia. Confirma-se, portanto, que aquilo que caracteriza a marca Portugal é, em muitos países, conhecido pelo futebol e pela praia.

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Esta vitória de futebol de praia teve como protagonistas uma equipa, cujos principais elementos jogam juntos há mais de uma década, com excelentes resultados. Desta vez, jogando em casa e tendo perdido o segundo jogo, esta equipa demonstrou possuir qualidades louváveis como o espírito de grupo, a determinação e a vontade de ganhar. Cabe perguntar: quais podem ser as ilações desta vitória para a marca Portugal?

 

A verdade é que os países são marcas e, enquanto tal, devem dar-se a conhecer aos públicos procurando destacar o que têm de diferenciador perante os outros – afinal, o seu posicionamento. A imagem dos países contribui, de forma determinante, para a capacidade de atração e competitividade do país e, em consequência, para o seu sucesso económico.

 

A importância da marca país é, de resto, bem conhecida das empresas portuguesas exportadoras que ganham ou perdem competitividade graças à capacidade que o país tenha de captar e manter investimento.

 

Nos últimos anos, Portugal tem vindo a melhorar em competitividade graças a novos valores que têm sido acrescentados à marca país, onde se incluem a tecnologia, a capacidade organizativa e até mesmo o facto de Portugal ter sido capaz de melhorar a sua relação com os credores em face de uma situação de crise económica.

 

As empresas portuguesas, sobretudo as pequenas e médias empresas, têm sido capazes de diversificar mercados e encontrar novas oportunidades crescendo em exportações quando o mercado interno não apresentava mais potencial de crescimento. Com ousadia e determinação!

 

A exemplo da vitória obtida neste Mundial, que apenas foi possível devido a uma estratégia de continuidade, para o sucesso económico do país é também necessária uma estratégia determinada, quer ao nível empresarial como no que se refere ao próprio país. Não obstante os casos bem-sucedidos das empresas portuguesas, tanto nos destinos escolhidos como nas estratégias de internacionalização implementadas, subsistem duas situações claramente deficitárias:

 

– uma concentrada atuação capaz de beneficiar as empresas de fileiras setoriais, como a que foi desenvolvida no caso do calçado;

– uma identificação de "benchmarks" e de troca de experiências entre as empresas portuguesas que têm tido sucesso internacional nos últimos anos.

 

Nos últimos meses, aquando das Conferências Mercator da Língua Portuguesa em quatro países de língua portuguesa, tivemos a oportunidade de constatar essa lacuna que, a ser colmatada, poderá incutir um novo impulso à internacionalização das empresas portuguesas. Esta alteração comportamental depende de diferentes tipos de identidades, onde se incluem entidades governamentais, associações empresariais, municípios que congregam várias empresas do mesmo setor e, como é natural, os empresários das principais empresas de cada setor que, em vez da velha máxima que sugere que "o segredo é a alma do negócio" podem colmatar os dois "deficits" referidos anteriormente com "a união faz a força" e com a pergunta de Voltaire: "Existirá alguém tão esperto que aprenda pela experiência dos outros?"

 

Diretor pós-graduação de Gestão e Marketing do Desporto do INDEG-IUL ISCTE Executive Education 

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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