Camilo Lourenço
Camilo Lourenço 25 de setembro de 2012 às 23:30

Gaspar fora do governo? Keep dreaming...!

Vou arriscar uma previsão: Gaspar não sai do Governo, pelo menos enquanto cá estiver a Troika.
A última "moda" entre analistas, parceiros sociais e lobbies de partidos (PSD e CDS incluídos...) é pressionar a saída de Vítor Gaspar. Com o argumento de que é preciso dar sensibilidade política ao executivo, em detrimento da sensibilidade técnica. Note-se que os proponentes da ideia não questionam a competência do ministro; querem é tirar peso às Finanças.

Percebe-se este movimento pró-marginalização de Vítor Gaspar: o ministro irrita muita gente. Desde logo porque gere com mão de ferro a despesa pública, o que incomoda alguns dos seus pares (como se viu em recente reunião do governo)...

Vou arriscar uma previsão: Gaspar não sai do Governo, pelo menos enquanto cá estiver a Troika. Não apenas porque a Troika confia nele. Mas porque tem mais "sensibilidade política" do que se pensa (em matéria de inteligência emocional, por exemplo, bate muitos colegas de governo). E, sobretudo, porque Gaspar inspira confiança ao BCE e aos mercados. Não é por acaso que as taxas de juro não dispararam (ainda...) apesar dos artigos do "FT" e do "WSJ", que dão conta do recuo do governo nas reformas.

Mas há outra razão, mais poderosa, para o ministro não perder peso no governo: tem o apoio total de Wolfgang Schäuble. O alemão, que já tinha dito que Gaspar poderia ser presidente do Eurogrupo se o país não estivesse intervencionado, ainda na semana passada, em Berlim, disse aquilo que nunca disse aos ministros espanhol, italiano e grego: "Estou consigo e com o seu país". Schäuble estava a dizer que o guardião do ajustamento português é o mais anglo-saxónico ministro das Finanças do "sun belt". É preciso melhor recado para os "distraídos"?


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