Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de abril de 2013 às 00:01

Gaspar, o homem de gelo

O Homem de Gelo, herói da Banda Desenhada, começou por sentir frio num dia muito quente. Refugiou-se na garagem e esta ficou cheia de neve. Descobriu os seus poderes: podia criar rajadas congelantes, espinhos de gelo que surgem do nada e solidificar a água.

Mais modestamente, o nosso Homem de Gelo, Vítor Gaspar, só quer congelar o Estado. E, a partir daí, congelar o país. Poderá valer-lhe um Nobel qualquer, ou mesmo um lugar no BCE ou no FMI, mas pelo caminho transforma Portugal num inóspito Pólo Norte. Irritado e com as gotas de suor quentes a transformar-se em pepitas de gelo, derivadas do falhanço de todas as suas medidas, Gaspar decidiu congelar as despesas correntes dos organismos públicos. É um amuo contra o TC que afecta todos os portugueses.

 

Gaspar pode ter a tentação de querer transformar os portugueses em morsas ou pinguins, mas deveria primeiro ter bom senso. Há falta de dinheiro. Este não nasce do céu. Mas o Governo e o seu gélido ministro das Finanças não pode colocar no purgatório um povo porque se mostra impossibilitado de cumprir os seus objectivos e é incapaz de mostrar à troika que assim Portugal se transformará num enorme manto branco. Ou, como alternativa, num deserto. Amuado, não pode querer parar o país, para que o deixem brincar como quer com a economia e as finanças. E com o destino dos portugueses e deste país. Gaspar instituiu unilateralmente o estado de sítio ou de emergência. Se não há dinheiro, deve explicar isso aos portugueses. E não transformar as palavras em gelo e as explicações num frigorífico.

 

A política é a arte de prosseguir o bem comum. O que Gaspar está a fazer é congelar as suas últimas ideias. 

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