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Gerir Portugal deve ser como gerir uma empresa

Quantos mais anos estivermos com os custos superiores às receitas maior será a dívida e mais difícil será voltar à normalidade. Nas empresas, quando as dívidas se descontrolam o desfecho pode ser a insolvência

Normalmente, só em tempo de crise os governos se preocupam com a gestão do País, principalmente em matéria de custos, receitas, dívidas externas, e défice.

Não digo que nunca se preocupem com estas matérias, mal seria se assim fosse, mas só as levam ao rigor quando atravessamos por uma crise, ou quando já existe algum indicador totalmente fora de controlo, como o desemprego, a dívida externa ou o défice.

Portugal tem de ser gerido como se gere qualquer micro, pequena, média ou grande empresa. Um dos principais factores que não obrigam a um rigor na gestão, seja governamental, seja empresarial, é a garantia do capital. Se por pior que sejam geridas as empresas - ou o País - existe sempre dinheiro para continuar, nunca haverá um rigor nas contas do País ou da empresa.

Vamos fazer uma comparação entre a gestão empresarial e governamental para analisarmos as grandes diferenças e percebermos porquê as empresas privadas só tem dois destinos, a sua existência ou a sua morte, e os governos contam com a sua existência, sem fim, mas em muitos períodos entram em coma, com a obrigatoriedade de sair dela com vida, com mais ou menos sequelas.

Uma empresa para sobreviver, tenha o tamanho que tiver, terá de ter mais receita que custos. Sem que esta equação resulte positiva, a sua morte, mais tarde ou mais cedo, está anunciada. Mas mesmo que se verifique um balanço positivo, isso não quer dizer que a empresa não tenha dificuldades, ou seja, pode vir a ter um défice de tesouraria, motivado pelos recebimentos tardios face à execução dos pagamentos. Se por exemplo a empresa recebe a 90 dias e paga a 30 dias, nunca conseguirá equilibrar a sua tesouraria, e carecerá sempre de capital para investimentos, ou outras actividades, caso não tenha de partida um fundo de maneio que permita sustentar esta diferença. Se não tiver esse fundo de maneio terá de recorrer à banca para equilibrar a tesouraria, mas tendo sempre em atenção que os juros têm de ser abatidos nas receitas, e verificar novamente se a receita continua a ser superior aos custos. Por isso é necessário ter em atenção que não só temos de receber mais do que gastamos, como receber antes de gastarmos para evitar o desequilíbrio das contas e a sustentabilidade da actividade.

Vejamos o que se passa com o Estado. Temos de começar por ter mais receita que custos, algo que não vem sendo habitual nos últimos anos, tendo agravado uma outra rubrica, que é mortal nas empresas, e no Estado, que é a divida. Quantos mais anos estivermos com os custos superiores às receitas maior será a dívida e mais difícil será voltarmos à normalidade. Nas empresas, quando as dívidas se descontrolam o desfecho pode ser a dissolução da empresa ou considerar a mesma insolvente, ou seja sem capacidade financeira para cumprir com as suas responsabilidades, fechando as suas portas sem pagar. No Estado, não é nada bom que isso aconteça, sob pena do País entrar em banca rota e causar o colapso nacional.

Indo ao básico, a primeira operação a fazer, é simplesmente ter mais receita que custos. Só por si, essa operação não é assim tão simples, porque a máquina Estado é extremamente complexa, mas é talvez por ser complexa que não se consigam identificar medidas, de forma superficial, para curar esta doença. Temos de fazer como fazemos numa empresa, mas desta vez o número de empregados são vários milhões, o que só por si exige uma equipa durante meses a avaliar o trabalho de cada empregado no Estado, as despesas das actividades, etc.

Sem esta análise de fundo, é impossível termos um Estado eficiente e economicamente viável, por isso estranho que se tomem medidas a partir de uma simples reunião, numa sala, sem ir ao terreno ver o que está bem e o que está mal. Vão ser sempre soluções de curto prazo e não de longo prazo. Que tal começarmos pelo básico e não andarmos a gerir desde uma sala sem saber o que se passa? Assim fazem as empresas, assim tem de fazer o Estado se quer viabilizar a sua economia.

A única diferença entre as empresas e o Estado é que ou fazem este trabalho para serem sustentáveis no longo prazo, ou morrem, enquanto que o Estado, não morre, mas vai aumentando cada vez mais a sua dívida, porque tem sempre a possibilidade de recorrer ao crédito. Se parássemos o crédito ao Estado, como seria? O mesmo que acontece com as empresas quando o banco já determina que o risco na concessão do crédito é elevado. Talvez por essa altura já tivéssemos mais cuidado com o equilíbrio das contas.

Assim, conclui-se que, afinal, um empreendedor ou empresário tem de ser mais responsável que um político, sob pena de ficar sem a sua empresa, sem os seus rendimentos, e enviar uns quantos para o desemprego, mas ao contrário, os políticos, podem fazer e desfazer que sempre garantem o seu ordenado, até que deixem o País em banca rota, mas nessa altura a culpa nunca foi deles, mas sim da oposição. Mas ainda o mais caricato é que, em tempos de crise, o Estado ainda vem pedir ajuda às empresas, ou seja, "ajudem-me a resolver a minha má gestão". E quem ajuda as empresas quando há má gestão? Vamos experimentar gerir o País como se gere uma empresa?



Dicas



1. Não se podem tomar medidas para resolver a gestão de uma empresa ou de um país, sentado numa cadeira. Há que ir ao terreno e fazer as devidas avaliações

2. Quem gere mal, deve ser penalizado. No caso da empresa o gestor vai para a rua, no caso do estado, o político assegura sempre o seu salário.




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*Fundador e líder executivo da Zonadvanced





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