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Pedro Santana Lopes 02 de Julho de 2014 às 20:10

GES: quem dá o murro na mesa?

Presidente da República e Primeiro-Ministro podem ver-se obrigados a impor a autoridade do bom senso na defesa dos interesses nacionais.

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1. O tema do momento em Portugal é, na realidade, a situação do BES.

 

Quando de crises noutras instituições financeiras, falou-se sempre de risco sistémico para outras entidades da mesma área. No caso do BES, o risco sistémico é muito maior: alarga-se a sectores muito variados. Diria que atinge, ou pode atingir, o sistema português em geral, com incidências nos vários subsistemas. Principalmente expostos, estão o subsistema político e o subsistema económico, esperando todos que o subsistema social seja o menos atingido.

 

Sabendo-se isto, estranha-se o tempo que se demora a clarificar a situação. Como tive oportunidade de dizer na segunda-feira, no meu espaço semanal da CMTV, o que se está a passar com o Grupo Espírito Santo (GES) prejudica muito Portugal.

 

2. O que se passou com outros bancos em Portugal teve mais efeitos para os próprios e para os seus acionistas e depositantes. Quanto muito, terão sido sentidos alguns efeitos colaterais, como se disse, noutras entidades financeiras. Neste caso, como se pode ver pela reação da Bolsa de Lisboa, dos mercados internacionais e do sucedido com a PT e a sua cotação bolsista, as consequências são bem mais vastas.

 

O ano passado, aquando da crise política no Governo e na coligação, falou-se muito das respetivas consequências no nível dos juros da nossa dívida. E agora? E a perda de valor de tantas empresas, com a queda a pique das respetivas cotações, já não terá a mesma importância?

 

3. Ninguém tem o direito de causar prejuízo ao País, nunca. Mas então num tempo em que Portugal tem feito um esforço tão grande e tem pago um preço tão alto para tentar sair desta pesada crise, ainda maior é a responsabilidade de todos no sentido de evitar mais danos.

 

Quem tem construído o Grupo Espírito Santo ao longo de mais de um século, sabe bem o que é a obrigação de respeitar o interesse nacional. Também nessa matéria, os atuais responsáveis têm uma herança dos seus antepassados que muito os responsabiliza.

 

4. A questão no GES é, também, a de ser o próprio líder que está para sair. Na crise de Governo do verão do ano passado, o Chefe da equipa podia construir a solução e fê- lo, com inegável mestria. Ainda tinha legitimidade e poder e essa solução exigia a sua continuidade. Aqui, é diferente: a solução já não passa por quem tem liderado e o resto da equipa está dilacerada por divisões e sequelas de decisões contestadas, impugnadas ou investigadas.

 

Construir esta solução exige, pois, especial engenho. Mas quem pode desempenhar aqui o papel que Pedro Passos Coelho desempenhou, em relação ao Governo, no ano passado (passe, obviamente, a diferença das matérias e dos problemas)?Não é fácil responder. A resposta mais óbvia é: o Governador do Banco de Portugal. Só que está a demorar muito o "fumo branco" e se tudo isto está a prejudicar tanto Portugal, quem tem de cuidar, acima de todos, de defender o País, pode ter de se envolver mais. Em diferentes planos, Presidente da República e Primeiro-Ministro podem ver-se obrigados a impor a autoridade do bom senso na defesa dos interesses nacionais.

 

Não se tolera mais o prolongamento desta situação.

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico.

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