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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 25 de Maio de 2006 às 13:59

Governo e oposição para o divã

Governo e oposição têm, pelo menos, um ponto em comum. Agarraram-se, como o náufrago à bóia, a cada décima para cima ou para baixo das perspectivas de crescimento da economia portuguesa.

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O Governo rejubila quando a décima é para cima e desanca o mensageiro quando a décima é para baixo. A oposição faz o contrário.

Até dói ouvir líderes e deputados da oposição a usar cada revisão em baixa do crescimento do PIB como principal argumento de crítica à actuação do Governo e a destratar o governador do Banco de Portugal porque pré-anuncia uma revisão em alta. Mas o papel do Governo e seus apoiantes não é melhor, senão veja-se este extracto assinado por Vital Moreira a 8 de Maio: «A revisão em alta [de 0,8 para 0,9%] pela Comissão Europeia, da previsão de crescimento económico para o corrente ano - embora ainda abaixo da previsão governamental - constitui um forte trunfo político do Governo». Se ele diz...

Tanto o Governo como a oposição sabem que as décimas são irrelevantes. Que os cenários de crescimento para este ano e para 2007 são sofríveis, abaixo do limiar que garante uma significativa criação de emprego e inferiores à média da União Europeia, o que nos deixa na desconfortável posição de continuar a divergir quando se pretendia precisamente o contrário.

Como todos sabem isto, do que se trata na guerra de declarações é de pura gestão de expectativas (forma politicamente correcta de dizer demagogia), na qual se desperdiçam energias que deveriam ser canalizadas para um projecto mobilizador. Portugal precisa de correcções estruturais - algumas das quais estão a ser iniciadas -, cujos efeitos serão visíveis apenas a médio e longo prazo, e que exigem consensos alargados.

A lógica de defender na oposição o contrário do que se faz no Governo e vice-versa já deu o que tinha a dar. É uma estratégia esquizofrénica que descredibiliza os políticos e desmobiliza os cidadãos. Já todos devem ter percebido mas são incapazes de mudar. Que tal irem ao psicanalista?

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