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Sérgio Figueiredo 05 de Julho de 2004 às 13:59

Governo sem primeiro

Cavaco chama-o para a Secretaria de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, ao formar o primeiro Governo, 1985. A primeira grande oportunidade? Não, essa apareceu dois anos depois. Em 1987. Porque não hesita em desistir das funções governativas e

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Cavaco chama-o para a Secretaria de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, ao formar o primeiro Governo, 1985. A primeira grande oportunidade? Não, essa apareceu dois anos depois. Em 1987.

Porque não hesita em desistir das funções governativas e lançar-se, como cabeça de lista do PSD, ao Parlamento Europeu. É eleito para um mandato de quatro anos. A meio decide regressar a Portugal. Era tempo de empreender.

Todo o país empreendia em 1989 - auge do cavaquismo e do ciclo económico que tanto ajudou Cadilhe. E o eurodeputado não resistiu aos apelos do novo ambiente «business» do país.

Escolhe o sector da comunicação social e torna-se empresário. Ao contrário de muitos projectos nessa época lançados, a aposta não lhe sai bem. A política, de braços abertos, acolhe-o de volta. É Cavaco quem lhe concede novo voto de confiança e entrega-lhe a Secretaria de Estado da Cultura.

Já mais maduro, agora é para valer. Quase foi. Libertou-se da «maldição dos dois anos» e, desta vez, só desistiu em finais de 1994. Quatro anos!

Sai em ruptura com o chefe de Governo e presidente do partido. Em coerência, disputa a liderança do PSD, contra Fernando Nogueira e Durão Barroso. Decide não ir ao fim, pois percebe que o Congresso não lhe dá votos suficientes.

Ainda em 1995, não são os miltantes do PSD, mas os sócios do Sporting que lhe confiam a presidência. Jura cumprir todo o mandato. Em Março seguinte, muda de ideias e volta a tentar a liderança partidária. O congresso elege Marcelo.

Por isso, fica com caminho livre para as autárquicas do ano seguinte. E dá uma «banhada» aos socialistas na Figueira da Foz. Leva o mandato até ao fim! E, em 2000, abaixo de Durão Barroso e acima de Marques Mendes, falha no terceiro congresso em que disputa a presidência do PSD.

Fim de 2001 volta a ser rei nas autárquicas, tira Lisboa à esquerda, mas deixa-a a meio. O túnel aberto, o Parque Mayer fechado. Queria ser Presidente, mas sai para primeiro-ministro.

Conhece bem o cargo. Desempenhou, de forma brilhante, num concurso televisivo, contra Torres Couto e apresentado por Albarran, ganha 600 contos e um cheque em directo. Ainda na TV, entra em conflito com o macaco Adriano, culpa o João Baião e abandona a política. A decisão era irreversível...

Há algo de constante neste percurso profissional de Pedro Santana Lopes - nada é constante. Raramente as coisas chegam ao fim. Os projectos são para uma vida. Duram dois anos. Diz sempre o que pensa. Com frequência não faz o que diz. No Governo. No Parlamento Europeu. Nas empresas. No Governo. No Sporting. Em Lisboa.

Eleições antecipadas significam instabilidade. A nossa elite empresarial está de acordo sobre este ponto. E a baixar nos níveis de exigência. Em nome da estabilidade, aceitam Santana Lopes.

Durante dois anos, ouvi muitos destes notáveis lamentarem-se que as reformas ficavam todas pela metade. Porque o primeiro-ministro era bom, o Governo é que era mau. Já se conformam com o contrário: o Governo tem de ser bom, mesmo que o primeiro-ministro não sirva.

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