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Paulo Ferreira pferreira@mediafin.pt 15 de Junho de 2005 às 13:59

Há fundos, faltam ideias

Não está fácil a vida dos gestores de fundos portugueses. Há dinheiro para investir. Os montantes que estão ao seu cuidado são cada vez maiores. O que não há é boas opções de investimento, daquelas que tornem aceitável o risco assumido em função da rentab

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Prova disso foi a queda de 20% do montante investido em acções pelos fundos portugueses, que se verificou em Maio. «O mercado carece de ideias interessantes» é a justificação suficientemente ilustrativa feito por um gestor mais à frente nesta edição.

As obrigações foram uma alternativa séria, mas que durou pouco. A subida de preço dos títulos de dívida, que ocorreu quando se afastou a possibilidade de uma subida das taxas de juro do Banco Central Europeu, está aparentemente esgotada.

E vemos agora os gestores de fundos a fazer contas aos milhões que têm que gerir e rentabilizar e a defender que a única alternativa é o «cash», a liquidez.

Alternativa para ganhar dinheiro? Dificilmente. Com as taxas de juro nominais aos níveis a que elas andam, pouco acima dos 2%, a rentabilidade do mercado monetário mal serve para ultrapassar a inflação. Estamos, por isso, perante uma alternativa para não perder dinheiro. Ou apenas para perder o menos possível. Esta é a versão profissional e moderna do dinheiro debaixo do colchão.

Mas os dramas dos gestores de fundos prometem não acabar aqui, sobretudo para aqueles que estão limitados às fronteiras financeiras portuguesas.

A mudança do tom da conversa do BCE sobre a evolução próxima das taxas de juro mostra que o que já está mau pode sempre piorar.

No início deste ano havia unanimidade dos analistas em relação à taxa de referência do banco central. Todos diziam que os juros iam subir em 2005, provavelmente no segundo semestre do ano.

A unanimidade mantém-se, mas agora em sentido contrário: passou a apostar-se numa descida da taxa. A intervenção de Otmar Issing na imprensa alemã deste fim-de-semana veio consolidar essa convicção.

Com um crescimento económico que teima em não aparecer e com uma inflação que, por isso mesmo, está controlada, não haverá razões que possam impedir as taxas de juro de descer.

Tudo muito certo e como mandam as melhores práticas.

Mas com os juros nos 2% há cerca de dois anos não será certamente uma descida para 1,75% ou mesmo 1,5% que servirá de empurrão para a estagnada economia europeia.

Na economia dita produtiva, como no mundo financeiro, o problema que se coloca a Portugal e à Europa não é a falta de dinheiro. Há recursos para investir. E há quem procure activamente rentabilizar esses milhões.

O que falta são projectos empresariais e produtos financeiros que garantam um retorno razoável dos investimentos. É a tal falta de «ideias interessantes» de que fala o gestor Pedro Mello e Castro. Ou, por outras palavras, o que falta é transformar o dinheiro em valor.

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