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Alexandre Real 20 de Março de 2016 às 21:12

Honra aos alentejanos

Tive o privilégio de até à maioridade ter vivido no Alentejo. Foi o Alentejo e os meus amigos alentejanos que traçaram o meu carácter e os meus princípios.

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A parte da minha família alentejana foi fundamental para o meu crescimento enquanto homem - aliás, o meu avô materno Francisco Pulido Garcia foi dos homens melhor estruturados que conheci até hoje. Foram muitos os serões que passei com o meu avô Xico e com a minha avó Emídia e em que me passaram muitos, e bons valores. Neste sentido, e porque o vivenciei, não admito que digam que no Alentejo os pais e os familiares desprezam as crianças. Tal como não admito que insinuem que somos tolerantes ao suicídio. Infelizmente, por várias razões cientificamente comprovadas que vão desde a morfologia do território até a outras variáveis, o Alentejo é fustigado pela maior taxa de suicídio do país. Mas este facto não faz com que os alentejanos sejam adeptos ou tolerantes para com o suicídio. Relembro a certos autores que, por exemplo, existe uma região do país onde existe uma maior incidência de toxicodependência e que este facto não faz com que os habitantes desta zona sejam apoiantes ou tolerantes para com as drogas. O que existe neste último caso é um conjunto de vicissitudes que influem para que determinada zona do país tenha uma maior taxa de toxicodependência. E nós, enquanto portugueses, nesta situação, o que devemos fazer é disponibilizarmo-nos para ajudar essa região e não descriminá-la.

 

Tal como todas as generalizações são perigosas e falaciosas, dizer que os alentejanos não são de confiança é de todo desrespeitoso para com este povo, como também o é para com os portugueses no geral. Do que conheço, vivenciei e vivencio, a maioria dos alentejanos são de confiança e são homens e mulheres bem formados e bem formadas. Na minha carreira profissional, tenho o privilégio de trabalhar desde sempre com alentejanos e até hoje não estou arrependido.

 

Não querendo invocar mais injustiças que nos últimos tempos tem sido ditas sobre o povo alentejano, gostava de frisar que tenho um sentimento de vanguarda empresarial e social para com Alentejo. Em 2007 tive o prazer de integrar um projecto europeu com os meus amigos Filipe Ferreira (alentejano) e o Álvaro Lopes Dias (açoriano), em que durante meses estudámos a fundo o tecido empresarial alentejano e fomos surpreendidos por vários casos de estudo. Durante várias visitas a projectos empresariais alentejanos, deparamo-nos com tecnologia de ponta e com inovações, muitas delas pioneiras a nível mundial.

 

Há quem hoje em dia ainda tenha aquela visão idílica do Alentejo do século passado, mas hoje temos um Alentejo vanguardista, inovador, exportador e com empresários bem preparados e de confiança. Além do mais, o Alentejo está a conseguir harmonizar crescimento sustentável com qualidade de vida. E, neste sentido, no Alentejo actual e moderno não tem cabimento visões bacocas e insustentadas de citadinos saloios…

 

Gestor e Professor Universitário

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