Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 11 de março de 2020 às 19:46

Hora de unir esforços

Estamos numa situação excecional e grave. É escusado explicar porquê, todos o sabemos. Em circunstâncias excecionais, de consequências graves para um país, para todo um continente e também para o mundo, exigem-se medidas excecionais.

Em cada país, fica mal ao respetivo governo querer resolver tudo sozinho dando por adquirido o apoio de quem está na oposição e ficaria muito mal a qualquer oposição deixar um governo entregue à sua sorte, só para que sofresse as respetivas consequências políticas em caso de tudo correr mal.

 

Neste caso, como na generalidade desse tipo de situações, o que correr mal é para os cidadãos, para as pessoas, para os seres humanos que fazem parte desse país. Governar, seja que país for, nunca é fácil, quanto mais numa situação como aquela que atravessamos. Aquilo que se está a passar terá, como é obvio, consequências a vários níveis. Já se sabe que terá muitos reflexos na economia, mas também assim será no plano das finanças públicas e da execução orçamental. Seguramente, ninguém pensa que os objetivos do défice, ou do superavit, podem continuar a ser os mesmos, por causa da despesa e por causa da receita. É ainda impossível de prever o nível de redução das economias dos diferentes estados, bem como da economia europeia no seu conjunto. Para além, obviamente, das economias mais poderosas situadas noutras partes do planeta.

 

Em circunstâncias como as atuais, o combate político fica naturalmente entre parêntesis. As pessoas querem é que os governantes e os dirigentes em geral acertem nas decisões, adotem boas soluções, imponham medidas eficazes e em tempo. Ninguém está interessado, numa altura como esta, em saber qual o partido que tem a intervenção mais acertada. As pessoas querem saber, quando muito, se um partido faz uma boa proposta e, se assim for, exigirão que o governo aceite e assuma o que é proposto. Agora, o que importa, muito mais do que em situações normais, são as pessoas.

 

Pôr a política totalmente entre parêntesis também é difícil, porque falar e agir só o governo, e exigir-se à oposição que nada diga e nada faça será também abusivo. Mas a hora é de convergência nacional, para além de europeia e mundial. Os cientistas de todo o mundo têm dado o exemplo, cooperando, entre si, desde o início do surto do vírus que muito preocupa o mundo. Têm-no feito trocando informações e comunicando descobertas uns aos outros, a todo o tempo. É o chamado sentido de responsabilidade que, obviamente, obriga, neste quadro, a uma grande convergência de esforços. Também na política, deve ser assim: no interior de cada país por um lado, e entre os vários países e as organizações internacionais. Se não for numa altura destas, que se põem de lado as estratégias partidárias e tudo se faz para convergir e se trabalhar em conjunto, não sei quando será. Estou certo de que esse sentido de responsabilidade prevalecerá.

 

Advogado

pub

Marketing Automation certified by E-GOI