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Pedro Santana Lopes 10 de Setembro de 2014 às 20:30

Investigação, ciência e inovação

Ele também deveria estar a adivinhar que vinha aí uma boa decisão para alguém que pode vir a ser um bom comissário.

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  1. 1. A pasta atribuída a Carlos Moedas é, em minha opinião, a melhor que podia ter sido atribuída ao indigitado comissário português. Pela importância das matérias em causa e pela dimensão financeira que lhes estão associadas neste mandato, que irá até 2019, constitui, sem dúvida, um facto que deve merecer o júbilo dos portugueses. Só para dar um exemplo de como deve ser plural e amplo o regozijo, José Sócrates e Mariano Gago devem sentir uma alegria grande. Tenho tido ocasião – várias vezes com críticas de algumas individualidades que hoje detestam Sócrates, depois de o terem cortejado há poucos anos – de elogiar o ex-primeiro-ministro e os seus Governos pelo trabalho que fizeram nessas áreas.Reconheci sempre, e reconheço, que José Sócrates e os seus Governos sempre deram importância a esses setores da Governação e da sociedade.
  2. Carlos Zorrinho, que foi Secretário de Estado da Energia e da Inovação, nesses Governos, já veio reconhecer a importância dos Pelouros atribuídos ao ex-Secretário-Adjunto de Pedro Passos Coelho. Disse uma coisa extraordinária: que os socialistas tinham feito várias diligências para impedir que Carlos Moedas ficasse com a responsabilidade de uma área eminentemente social por, supostamente, não ter perfil para isso. Pois, em minha opinião, fizeram um serviço a Portugal. A pasta do Emprego e dos Assuntos Sociais terá sempre de constituir uma prioridade da política europeia dos próximos anos e de ter em especial atenção os países que têm passado graves dificuldades nesse domínio. Portugal é exatamente um deles. O que não esperávamos era que um membro português da Comissão Europeia ficasse com tão importantes setores e com tantos recursos financeiros para gerir (para além das grandes direções-gerais e dos milhares de funcionários que terá sob sua responsabilidade).  Como é óbvio, a ciência, a investigação e a inovação são áreas-âncora para o desenvolvimento de uma sociedade, tão mais importantes quanto mais for envelhecida e estiver algo letárgica essa mesma sociedade.
  3. Na União Europeia, o investimento nesses setores é determinante para que consiga atingir os mais elevados patamares de modernidade, num quadro de cada vez mais intensa competitividade entre as diferentes regiões do mundo. E, dentro da União Europeia, Portugal deve ambicionar uma posição especialmente destacada nas novas tecnologias, na inovação social, nas comunicações, no E-Government, nas ciências do mar, e em vários outros domínios em que já investimos em anos anteriores, e nos quais estamos em boas condições para nos alcandorarmos a posições de destaque e mesmo de liderança. Na investigação e na inovação está o futuro destas sociedades europeias, com uma história tão densa e uma cultura tão rica.

 

  1. 2. Como sempre acontece em Portugal neste tipo de situações, a escolha de Carlos Moedas foi considerada, por muitos setores, principalmente os da oposição, como um prenúncio de malogro na escolha da pasta que viesse a ser-lhe atribuída. Mas, mais uma vez, os pessimistas enganaram-se: Passos Coelho conseguiu negociar com peso político, a nossa diplomacia foi novamente bem sucedida e Portugal foi muito bem "tratado". De modo inacreditável, um conhecido semanário anunciava em título, pouco depois de a notícia ser conhecida, que Carlos Moedas não faria parte do núcleo duro de Juncker!... Quem for ler o que se passou confirmará que o tal núcleo duro é composto por sete vice-presidentes de países, no geral, com menor peso na União Europeia e a quem é atribuída a missão de acompanharem, com o novo presidente, o desenvolvimento das políticas de governação nos diferentes setores. E quem é que está com Carlos Moedas entre aqueles que não fazem parte do tal "especial núcleo duro"? Bem, nem mais nem menos do que pessoas simples e modestas de países pobres e apagados, como o ex-ministro das Finanças de França ou o comissário do Reino Unido, ou o representante de Espanha... Portanto, vejam lá como Carlos Moedas foi relegado para o nível dos países mais poderosos e que, certamente, não têm força alguma na União.
  2. Com franqueza, entre os países que têm vice-presidentes estão a Estónia, a Bulgária, a Letónia, entre outros. Como disse, e com exceção da Holanda, os países com mais peso não têm nenhum vice-presidente. Assim sendo, é justificável que se diga que a generalidade dos cidadãos portugueses, com exceção daqueles que – por formação ou por ideologia – têm de discordar de tudo, deve congratular-se com as responsabilidades atribuídas ao novo comissário Carlos Moedas e depositar as maiores esperanças no trabalho que ele pode realizar. Inteligente, é novo, já é experiente, teve estes anos de trabalho intensíssimo com a Troika que foi, seguramente, ao mesmo tempo uma enorme aprendizagem, é um homem oriundo do Alentejo profundo, habituado a crescer na pluralidade de opiniões, humilde, simpático, e daquelas pessoas que não se envaidecem com o poder. É um elogio grande? É, mas é merecido.
  3. Lembro-me em 2009, quando me candidatei pela segunda vez à Câmara Municipal de Lisboa, de ter aparecido na sede de campanha uma pessoa com ar bastante jovem a disponibilizar-se para ajudar, trabalhando muito. Logo na altura, Gonçalo Reis, entre outros, disse-me muito bem dele. Tenho a certeza de que, nos próximos anos, muitos mais virão elogiá-lo. António Vitorino, que já foi comissário europeu, com a sua inteligência e a sua sensatez, fê-lo logo de início. Ele também deveria estar a adivinhar que vinha aí uma boa decisão para alguém que pode vir a ser um bom comissário.

 

Advogado

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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