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João Quadros - Argumentista
11 de Fevereiro de 2011 às 11:45

I"m in love with a german chancellor star

A primeira vez que provei "heinzbein" não gostei. Estranhei a textura e o sabor.

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Era demasiado jovem, inexperiente e irresponsável para apreciar como deve ser (e em toda a amplitude) a perfeição daquele maduro prato. Hoje, sou um apaixonado pelo belo joelho de porco. Com a Angela Merkel, aconteceu-me o mesmo.

Tenho ficado, aos poucos, apaixonado pela chanceler alemã e tenciono atingir o perdidamente lá para Maio. Eu sei que à primeira vista pode parecer uma epopeia e uma forma fria de encarar a paixão, mas relembro que se trata de uma alemã.

Se há um ponto fraco que eu tenho, é quando me falam à abolição da indexação dos salários à inflação - não resisto. E se há quem tenha fetiches com algemas e chicotes, eu tenho com mecanismos de alerta à dívida.

No fundo, eu quero ser alemão. Mas quero ser alemão em Portugal. Quero ser alemão sem sair cá de dentro.

Portugal já quis ser a Plataforma com África. A Califórnia da Europa, a Praia de Madrid, etc. Portugal tem que ambicionar a mais. O que Portugal devia ser era: a RDA da Alemanha. É o futuro.

Vejamos. Os ex-alemães de Leste, como a Angela (e alguns dos habitantes da ex-Alemanha Ocidental) , sofrem da chamada "ostalgia". Uma mistura entre "ost", palavra alemã para Leste, e nostalgia. Os alemães têm uma saudade juvenil de alguns produtos e formas de viver da ex-RDA. Ora, se executássemos o plano Merkel, com mais uns retoques, podíamos transformar Portugal numa pequena RDA. Uma RDA de fantasia. Para que os alemães, saudosos, viessem visitar o nosso país nas férias e matar saudades dos Trabant e dos aquecedores a carvão. O nosso país tem de caminhar para a Berlinização de Leste. Portugal podia ser o "Goodbye Lenine" da senhora Merkel. Era um sucesso.

Eu estou pronto para ser alemão* sem sair da minha freguesia (que actualmente não sei qual é). Estou pronto a amar a minha líder. E estou disposto que o pacto de competitividade imponha que os cidadãos dos países endividados usem, na roupa, uma estrela da bandeira da União Europeia. Porque, se há oitenta anos os alemães andavam a perseguir as pessoas que emprestavam dinheiro aos outros, agora chegou a hora de mostrar os dentes a quem pede emprestado.

Parem de resistir. Deixem-se levar. Vão gostar de ser alemães. Vão gostar de ter as contas arrumadas. E continuam a ter cerveja. E muito sinceramente, como eu não me entendo com o novo acordo ortográfico, por mim, a Constituição Portuguesa pode passar a estar escrita em alemão.

*Reparem como os momentos de comédia desta crónica são já uma primeira tentativa de ir buscar inspiração ao famoso humor alemão…

Que chato que eu sou

1. "Em muitos terrenos o objectivo da colheita deixou de ser a alimentação e os produtos são transformados em biocombustíveis." Em tempos, os agricultores plantavam para dar de comer à família, agora semeiam e colhem para alimentar o tractor. É uma espécie de TvRural 4x4.

2. "PSD E PCP podem unir-se na moção de censura ao Governo". Parece-me bem. São laranjas com vitamina C. Mas atenção que laranja com tinto da casa dá sangria.

3. "Exportações nacionais em crescimento". Já não há dúvida. Querem todos fugir daqui, desde as pessoas às mercadorias.

4. "Jorge Coelho disse que Portugal está no centro do Atlântico e não na periferia da Europa". Ui, vêm lá mais pontes…

5. "Secretário geral da ONU deixa cair exigência de transição democrática "imediata". E o "democrática" está preso por arames.

6. "Pela primeira vez em cinco anos, Cavaco vetou um diploma do governo" - era o dos genéricos e realmente tanto fazia. Cavaco praticou a chamada "magistratura do princípio activo". Depois, o Presidente da República, esteve reunido com ministro da Defesa 30 minutos; ou dez "rounds".

7. "Parva que sou", dos Deolinda, é para muitos o regresso da música e intervenção. Mas não para António Ribeiro Ferreira que, no CM, escreveu "ponham os Deolindas idiotas no caixote de lixo". Sim. Mas embrulhados na folha da coluna do Tó. PS: O que eu gostava de ver era um dueto da Ana Bacalhau com o senhor dos anúncios do Media Markt.

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