I"m in love with a german chancellor star
A primeira vez que provei "heinzbein" não gostei. Estranhei a textura e o sabor.
Era demasiado jovem, inexperiente e irresponsável para apreciar como deve ser (e em toda a amplitude) a perfeição daquele maduro prato. Hoje, sou um apaixonado pelo belo joelho de porco. Com a Angela Merkel, aconteceu-me o mesmo.
Tenho ficado, aos poucos, apaixonado pela chanceler alemã e tenciono atingir o perdidamente lá para Maio. Eu sei que à primeira vista pode parecer uma epopeia e uma forma fria de encarar a paixão, mas relembro que se trata de uma alemã.
Se há um ponto fraco que eu tenho, é quando me falam à abolição da indexação dos salários à inflação - não resisto. E se há quem tenha fetiches com algemas e chicotes, eu tenho com mecanismos de alerta à dívida.
No fundo, eu quero ser alemão. Mas quero ser alemão em Portugal. Quero ser alemão sem sair cá de dentro.
Portugal já quis ser a Plataforma com África. A Califórnia da Europa, a Praia de Madrid, etc. Portugal tem que ambicionar a mais. O que Portugal devia ser era: a RDA da Alemanha. É o futuro.
Vejamos. Os ex-alemães de Leste, como a Angela (e alguns dos habitantes da ex-Alemanha Ocidental) , sofrem da chamada "ostalgia". Uma mistura entre "ost", palavra alemã para Leste, e nostalgia. Os alemães têm uma saudade juvenil de alguns produtos e formas de viver da ex-RDA. Ora, se executássemos o plano Merkel, com mais uns retoques, podíamos transformar Portugal numa pequena RDA. Uma RDA de fantasia. Para que os alemães, saudosos, viessem visitar o nosso país nas férias e matar saudades dos Trabant e dos aquecedores a carvão. O nosso país tem de caminhar para a Berlinização de Leste. Portugal podia ser o "Goodbye Lenine" da senhora Merkel. Era um sucesso.
Eu estou pronto para ser alemão* sem sair da minha freguesia (que actualmente não sei qual é). Estou pronto a amar a minha líder. E estou disposto que o pacto de competitividade imponha que os cidadãos dos países endividados usem, na roupa, uma estrela da bandeira da União Europeia. Porque, se há oitenta anos os alemães andavam a perseguir as pessoas que emprestavam dinheiro aos outros, agora chegou a hora de mostrar os dentes a quem pede emprestado.
Parem de resistir. Deixem-se levar. Vão gostar de ser alemães. Vão gostar de ter as contas arrumadas. E continuam a ter cerveja. E muito sinceramente, como eu não me entendo com o novo acordo ortográfico, por mim, a Constituição Portuguesa pode passar a estar escrita em alemão.
*Reparem como os momentos de comédia desta crónica são já uma primeira tentativa de ir buscar inspiração ao famoso humor alemão…
Que chato que eu sou
1. "Em muitos terrenos o objectivo da colheita deixou de ser a alimentação e os produtos são transformados em biocombustíveis."
2. "PSD E PCP podem unir-se na moção de censura ao Governo".
3. "Exportações nacionais em crescimento".
4. "Jorge Coelho disse que Portugal está no centro do Atlântico e não na periferia da Europa".
5. "Secretário geral da ONU deixa cair exigência de transição democrática "imediata".
6. "Pela primeira vez em cinco anos, Cavaco vetou um diploma do governo" - era o dos genéricos e realmente tanto fazia. Cavaco praticou a chamada "magistratura do princípio activo".
7. "Parva que sou", dos Deolinda, é para muitos o regresso da música e intervenção.
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