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Isto é inadmissível!

O momento mais interessante da conferência de imprensa em que Vítor Gaspar apresentou o OE 2012 não foi o dramatismo com que explicou a difícil situação do País.

O momento mais interessante da conferência de imprensa em que Vítor Gaspar apresentou o OE 2012 não foi o dramatismo com que explicou a difícil situação do País. Nem foi a coragem com que lembrou não haver margem para renegociar o programa de ajustamento. Nem foi o anúncio do agravamento da pena de prisão para fraudes fiscais. Foi quando declarou não conhecer as necessidades de financiamento das empresas públicas.

O pormenor ilustra o estado a que chegou o Estado em Portugal (a Câmara de Lisboa, por exemplo, não sabe quantos inquilinos tem): tornou-se uma organização com vida própria, blindada da influência exterior. Até de quem é suposto mandar nela. São coisas como esta que explicam porque desde Julho passámos de um "desvio colossal" (quase 2 mil milhões de euros) para um "desvio descomunal" (3,4 mil milhões).

Perante este cenário o que faz o cidadão comum? Indigna-se? Não. Berra contra o corte nos salários e o aumento de impostos. Esquecendo-se que eles resultam do tal desregramento do Estado, que ele mesmo "patrocina" (pela sua passividade).

O problema é que há quem olhe para este desregramento com menos "simpatia". Ontem Ollie Rehn veio lembrar que, à conta do deficiente controlo da execução orçamental, o défice de 5,9%, este ano, não está garantido. E como em 2012 não poderemos contar com tanta paciência por parte de quem nos financia, é melhor adoptarmos regras que previnam as derrapagens. Criando um organismo com poderes draconianos, suportado por legislação com penas duras para os prevaricadores (a "censura" política, ao invés do que sugeriu Vítor Gaspar, não funciona). Caso contrário, daqui a cinco anos estaremos a perguntar "Outra vez"?


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