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Fernando Sobral fsobral@negocios.pt 18 de Junho de 2018 às 20:01

Jordânia: um equilíbrio instável

A Jordânia é um país central na questão da migração. Quando há conflitos ou fome, os países vizinhos costumam ser a solução mais óbvia. 

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Durante muito tempo a Jordânia aparentou ser, nas costas do Mediterrâneo, um oásis de estabilidade numa zona de conflitos (Síria, Líbia). Mas, recentemente, neste país que continua a funcionar como uma espécie de zona-tampão para a Europa (algo que as políticas europeias, para se ver livres de Muammar Kadhafi esqueceram), essa calma estilhaçou-se. Houve protestos nacionais no reino contra o aumento dos impostos e dos preços da gasolina. Como resultado, desde 5 de Junho a Jordânia tem um novo governo, com troca de primeiros-ministros: saiu Hani Mulki e entrou Omar Razzaz. Mas convém recordar que este é o sexto governo jordano desde o início da guerra civil síria, que começou em Março de 2011.

 

A Jordânia é um país central na questão da migração. Quando há conflitos ou fome, os países vizinhos costumam ser a solução mais óbvia. Basta pensar que dos 5,6 milhões de refugiados sírios, estão cerca de 3,5 milhões na Turquia, 1 milhão no Líbano e 600 mil na Jordânia. Nenhum destes países está preparado para este influxo. E as resistências dos habitantes destes países crescem. Pense-se no que se discute hoje na Europa e no efeito que estes estão a ter nestes países. Pense-se agora se um destes países tem uma dívida externa que representa 95% do PIB, como é o caso da Jordânia, e está a sofrer uma das clássicas "reformas estruturais" do FMI. De onde vem o dinheiro para conseguir resolver uma crise de refugiados deste nível?

 

É neste contexto, que a Europa parece não querer entender, que se compreende melhor a crise de refugiados no Mediterrâneo e a situação delicada do reino da Jordânia. A crise económica da Jordânia está também a fazer com que os poderes regionais se movimentem, da Arábia Saudita ao Qatar. O Kuwait anunciou um pacote de auxílio financeiro no valor de mil milhões de dólares, embora a Arábia Saudita tenha tentado surgir como merecedora desse crédito. Logo a seguir o Qatar anunciou "substancial apoio" financeiro (500 milhões de dólares) e Mohammed bin Abdulrahman Al Thani chegou à Jordânia para negociar o crédito. Tratou-se da primeira visita do poder qatari à Jordânia, depois de o reino ter embarcado no cerco a Doha por influência saudita. Pouco depois o rei Salman da Arábia Saudita contactou o rei jordano Abdullah para uma reunião onde estavam presentes membros dos Emirados Árabes Unidos e do Kuwait. O apoio passaria a ser perto de 2,5 mil milhões de dólares, com parte a ser suportado por Riade.

 

No meio, percebe-se que a falta de liderança saudita permitiu que os seus rivais no golfo Pérsico estejam a ocupar o seu espaço de manobra. Isto coincide com a desintegração real do Conselho de Cooperação do Golfo, já que cada país que o integra parece estar a seguir uma política própria, depois de a Arábia Saudita tentar ditar ali a sua lei. Se bem que existam 400 mil jordanos a trabalhar no reino saudita, as relações são hoje menos fortes. E o rei Abdullah começa a entender que o apoio do povo jordano passa por conseguir melhorias económicas, mas também ter uma posição política mais independente. Os pedidos de mudança política foram escutados da voz do líder da tribo Beni Sakr, Fares al-Fayez, que foi preso, que disse não querer que Abdullah seja rei, primeiro-ministro, ministro da Defesa e chefe da polícia ao mesmo tempo. E lembrou o rei que a sua família vem da terra onde hoje se situa a Arábia Saudita e que a Jordânia é tudo o que resta do que essa família já teve em seu poder. 

 

Iémen: a guerra esquecida

 

No Iémen está a decorrer um massacre interminável, esquecido pela comunidade internacional, que nalguns casos vendeu milhares de milhões de dólares de armamento a um dos principais intervenientes no conflito, a Arábia Saudita. Na verdade, a crise humana a que assistimos desde que começou a guerra civil naquele que já era o mais pobre pais árabe não dá mostras de se suavizar. Pelo contrário, cresce a olhos vistos. O assalto da coligação liderada por Riade à cidade e ao porto de Al Hudaydah é apenas o mais recente capítulo desta luta contra os rebeldes houthis apoiados pelo Irão. O porto era o principal centro para a chegada de ajuda humanitária ao povo iemenita. Agora a situação vai piorar ainda mais.

 

Recorde-se que o conflito começou entre os rebeldes houthis do Norte do país e o governo, liderado então pelo presidente Abdu Rabbu Mansour Hadi. Os houthis fazem parte da minoria xiita do país. Em 2015, a Arábia Saudita e o seu aliado Emirados Árabes Unidos intervieram por causa do apoio iraniano aos rebeldes, dentro do contexto de luta ente sunitas e xiitas nos mais poderosos países da região. O Iémen é um campo de batalha onde ambos desejam a hegemonia. Mais do que um conflito sectário, parece que estamos defronte de uma guerra onde o que conta é a influência de países terceiros.

 

O país dividiu-se entre a parte do Norte, que inclui a capital, Sana, e a parte do Sul, controlada pelas forças governamentais com o apoio saudita. Lembre-se de que em 2011 a Primavera Árabe iemenita forçou o Presidente Ali Abdulah Saleh, um autoritário líder apoiado pelos EUA, e que liderava o Iémen unificado desde a década de 90, a sair do poder e este cedeu a presidência a Hadi. A entrada em cena da Al-Qaeda também estilhaçou o país. Saleh aliou-se aos houthis e Hadi tentou conseguir que o país não se desintegrasse. Em 2014, os houthis assaltaram a capital e forçaram Hadi a procurar refúgio em Riade. Foi aí que a Arábia Saudita decidiu intervir militarmente, sem resultados brilhantes. O conflito apenas subiu de intensidade. Saleh decidiu entretanto abandonar a sua aliança com os houthis e foi morto. O porto de Al Hudaydah, no mar Vermelho, é fulcral nesta luta. Mas a guerra e a catástrofe humana não deverão retroceder, mesmo que os sauditas conquistem o porto.

 

Omã: mais relações com a China

 

O sultão Qaboos de Omã e o Presidente Xi Jinping estabeleceram uma parceria estratégica, algo que acontece no âmbito dos 40 anos das relações diplomáticas entre os dois países, estabelecidas em 1978. A China é hoje o maior importador do petróleo de Omã e os dois países têm investimentos conjuntos nas áreas da tecnologia, energia e indústria. O sultanato está também fortemente interessado na iniciativa da Nova Rota da Seda estabelecida pela China, já que Omã, devido à sua colocação estratégica, tem sido determinante nas relações comerciais entre o Ocidente e o Oriente. Omã defende também o princípio de "uma única China".

 

Macau: integração na Baía

 

O chefe do Executivo, Chui Sai On, disse que Macau tem de preparar o projecto de articulação do futuro metro ligeiro com a rede ferroviária de alta velocidade da China interior para ligar Shenzhen, Zhuhai e Macau, acelerar a construção do novo acesso transfronteiriço entre Guangdong e Macau e iniciar a ampliação do Aeroporto Internacional de Macau. Chui Sai On disse ainda que a actuação do governo será orientada em três vertentes nomeadamente com vista a conseguir a integração gradual de Macau na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau. A interactividade entre as populações, através das suas culturas próprias, foi igualmente defendida e considerada como importante para a integração de Macau no projecto da Grande Baía. "Macau é uma cidade pequena, mas fará o seu melhor para se preparar para o desenvolvimento da Grande Baía. A orientação de desenvolvimento de Macau é a sua transformação como "centro mundial de turismo e lazer" e "plataforma de serviços para a cooperação comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa", disse ainda Chui à delegação de jornalistas chineses.

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