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Luísa Bessa lbessa@mediafin.pt 31 de Março de 2005 às 13:59

Jornalismo sob pressão

A cotação do jornalismo nacional não anda alta. Depois do tratamento do processo da Casa Pia, de uma tendência generalizada para a tabloidização da informação, não admira.

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Com cada vez mais frequência sou confrontada com comentários desabonatórios da qualidade do jornalismo que se faz em Portugal. Queixam-se os nossos interlocutores de falta de rigor e seriedade no tratamento dos assuntos, quando não de falta de ética em geral, posição difícil de rebater pelo argumento de que a árvore não faz a floresta. Ou de que as condições de trabalho não permitem fazer melhor porque pode ser respondido que o mesmo se aplica ao funcionário público que atende mal os cidadãos ou ao bancário que recebe mal os clientes, numa cadeia desresponsabilizadora que se sabe apenas onde acaba.

Há dias, uma fonte resumia de forma assassina o problema: «a qualidade das notícias é boa, excepto quando tratam de matérias que domino».

Esta semana, a leitura da última edição da «The Economist» trouxe-me um bálsamo inesperado com a notícia de que a Universidade de Oxford está a planear a criação de um instituto de jornalismo, não para facturar com a popularidade dos temas mediáticos, mas com o objectivo de melhorar a qualidade do jornalismo britânico. Ao menos não estamos sozinhos, pensei.

O jornalismo britânico teve sempre nos jornais populares o seu calcanhar de Aquiles. Antigamente era um problema circunscrito ao que depreciativamente se chamava jornalismo tablóide. Entretanto, a imprensa dita séria adoptou o formato tablóide (em termos físicos, claro) mas, de acordo com os impulsionadores da iniciativa de Oxford, o contágio não se limita ao formato e propaga-se ao tratamento dos conteúdos. O diagnóstico passa por futilidade (a obsessão com histórias de celebridades e afins), invasão da privacidade e falta de rigor.

Iniciativas como a de Oxford, que empresta toda a sua credibilidade a umtrabalho sem sucesso garantido, também deviam fazer pensar as universidades portuguesas, em especial as públicas, cujo contributo se tem resumido ao significativo aumento da oferta de formação na área do jornalismo.

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