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Manuel Esteves mesteves@negocios.pt 05 de Julho de 2013 às 00:01

Lógica da batata quente

Esta foi a semana da batata quente. A já famosa cuspidela terá sido a gota de água para Vítor Gaspar que bateu com a porta, deixando um cesto de batatas quentes em cima da mesa à volta da qual estavam Maria, Paulo e Pedro.

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Descontente com a nomeação de Maria Luís Albuquerque para ministra das Finanças, Paulo Portas demitiu-se, responsabilizando Pedro Passos Coelho pelo que parecia ser uma inevitável queda do Governo. Surpreendido, Passos surpreendeu tudo e todos ao negar-lhe a demissão e dizendo ao País que não seria por ele que a coligação se quebraria. Desta forma, o primeiro-ministro lançou a batata quente para as mãos de Portas que mandou as tropas prepararem-se para a batatada. 


Do lado da oposição, também houve tubérculos quentinhos. PS, PCP e Bloco exigem a demissão do Governo, mas estão de mãos atadas, porque na actual sessão legislativa já promoveram as moções de censura a que por lei têm direito. Pedem então ao Presidente da República que avance. O Presidente, por seu turno, deixa claro que a responsabilidade é da Assembleia da República.

Uma das lições desta semana é que já ninguém acredita neste governo, mas ninguém quer ficar com o ónus da sua queda. A começar nos partidos da oposição e a acabar nos portugueses que não confiam neste governo, nem em nenhum outro. A descrença reina. "Não há alternativa", escreve-se, mais torto do que direito. "Se não há alternativa, o melhor é ficar em casa", dizem os portugueses – enquanto mudam o canal do noticiário para a novela.

O país está neste momento num beco sem saída: de um lado, a parede da Europa; do outro, o precipício. Os portugueses caminham em plano inclinado para o precipício.

A verdade é que haja um segundo programa de assistência financeira ou um simples programa cautelar, a cantiga da austeridade será a mesma. Com ou sem eleições, a política governativa será idêntica. Seja qual for a coligação governamental que resulte das eleições alemãs de Setembro, pouco mudará no que os alemães pensam e querem para nós.

Bem vistas as coisas, Portugal parece-se cada vez mais com uma enorme batata quente em que ninguém quer pegar. Ou estilhaça ou apodrece. Não há mesmo alternativa?

Editor de Economia

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