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Opinião
Joaquim Aguiar 01 de Março de 2016 às 00:01

Luz e sombras

Os partidos que ganham as eleições não conseguem estabelecer plataformas de governo e os partidos que perdem as eleições aliam-se em plataformas de governo instáveis.

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A FRASE...

 

"Os últimos dez a quinze anos varreram a economia portuguesa como um vendaval. O 'capitalismo português' está morto e enterrado. Não há capital e quase não há capitalistas. (…) O sistema bancário está de rastos."

 

António Barreto, Diário de Notícias, 28 de Fevereiro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

A crise das economias desenvolvidas, que se iniciou em 2007 e depois se difundiu pelas economias emergentes, continua o seu curso de destruição das condições do passado sem mostrar sinais de que esteja na vizinhança da sua resolução. Nas sociedades europeias que tiveram de recorrer a dispositivos de assistência externa, os sistemas políticos fragmentam-se. Onde não houve assistência externa, na Europa e nos Estados Unidos ou no Japão, os sistemas políticos estão a gerar formas extremas de populismo e de demagogia, alimentadas pela perplexidade das populações confrontadas com uma crise que não termina.

 

As sociedades polarizam-se, com antagonismos sem resolução entre os que aspiram a reconstituir as condições do passado (que a crise já destruiu) e os que suspeitam de que a globalização alterou a configuração das esferas económica, política e social (substituindo o proteccionismo pela competição, a escala nacional pela escala das redes de integração, a moeda própria pela moeda comum, os valores da igualdade subsidiada pela evidência das assimetrias, onde os custos unitários do trabalho excessivos mostram que a produtividade é mais baixa do que os salários baixos).

 

Os partidos que ganham as eleições não conseguem estabelecer plataformas de governo e os partidos que perdem as eleições aliam-se em plataformas de governo instáveis, dependentes do apoio de pequenos partidos, para impedir que governem os que obtiveram uma legitimidade superior. Nestas circunstâncias, a argumentação racional é ineficaz, porque não se trata de governar, mas apenas de ocupar o poder. Assim se criam as condições para que seja a crise que comanda a crise, como nos desastres.

 

Leonardo da Vinci ensinava que não se pinta a luz, colocam-se as sombras para que a luz apareça.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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