Fernando  Sobral
Fernando Sobral 03 de maio de 2017 às 09:50

Macron já ganhou? Talvez seja cedo para a festa

As sondagens parecem dizer que Emmanuel Macron já ganhou. Mas há quem comece a levantar dúvidas: é cedo para encomendar o champanhe.
Marine Le Pen voltou-se para o eleitorado de esquerda em busca dos votos que lhe faltam. Declarou-se "inimiga das finanças" e do "dinheiro insensível" e promete melhorar os direitos sociais dos trabalhadores. E depois há o vácuo de ideias que é Macron, como sublinha Enric González no El Mundo: "O resto (para Macron) foi sorte, François Fillon, o candidato conservador, tinha as eleições ganhas. Mas descobriram-se os empregos fictícios da sua mulher e a sua paixão pelo luxo e a sua candidatura afundou-se. Macron, o jovem brilhante e audaz, o Napoleão do século XXI, estava ali, no lugar e no momento oportuno para ficar com o grande prémio." Ficará?

No L'Obs, o apoio a Macron vem de uma personalidade insuspeita: Yanis Varoufakis. Este escreve: "Há algo mais no meu apoio a Emmanuel Macron. [No seu mandato de ministro grego das Finanças] ele revelou um lado que poucos progressistas conhecem. Macron foi o único ministro de Estado na Europa a fazer todo o possível para ajudar a Grécia no Verão de 2015, quando a troika dos credores da Grécia e o governo de Berlim minavam as tentativas do nosso governo de esquerda recentemente eleito para libertar a Grécia do jugo da dívida." É uma boa forma de olhar novamente para a História. No Guardian, Olivier Tonneau afirma: "Emmanuel Macron tomou os votantes franceses como garantidos. Agora arrisca a derrota. A ascensão de Macron é típica da idade dos 'spin doctors': ilustra o seu poder e os seus limites. É surpreendente como alguém que inspirou (como secretário pessoal) e implementou (como ministro das Finanças) as políticas de François Hollande seja apresentado como algo radicalmente novo." Domingo se verá.


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