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Raul Vaz 23 de Junho de 2006 às 13:59

Maldita condição

À boa maneira do faroeste, o duelo parece ser a única forma de resolver qualquer divergência. Estamos em Timor, o mais jovem país deste início de milénio, uma terra onde dois homens e as suas tropas (político/militares por obra da democracia) se confronta

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Um é Presidente da República, herói mítico da resistência ao ocupante; o outro é chefe do Governo eleito, com força no partido dominante. O primeiro acusa o segundo do mal que contaminou a sociedade: corrupção, distribuição de armas a civis, iniciativas impróprias das funções que exerce; o segundo releva a legitimidade democrática e refuta as acusações veiculadas por uma televisão australiana. Em Timor, à velha maneira do faroeste, a lei submerge perante o medo da hecatombe - o que nos tempos de hoje se poderá traduzir numa guerra civil. Para já é Xanana, o Presidente, contra Alkatiri, o chefe do Governo. Ambos sabem que o conflito já ultrapassou as barreiras de uma solução institucional e está no limiar do duelo. Como no faroeste, mas agora com a nefasta perspectiva de um envolvimento colectivo. Será esse o perigo que Xanana - com poder para afastar Alkatiri - procura evitar, contrapondo a sua própria demissão. Será? Ou trata-se de uma mera manobra política para cativar a opinião pública? Mas, afinal, o que parece bizarro não surpreende: no Oeste americano havia ouro, no mar de Timor há petróleo. Maldita condição.
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