Fernando  Sobral
Fernando Sobral 11 de março de 2018 às 19:30

Marcelo e o PSD

Não é um acaso o recente sucesso de Winston Churchill nas salas de cinema. Os cidadãos desejam grandes líderes. E sentem aquela nostalgia inocente de personalidades épicas.

Frente aos grandes desafios de hoje têm, no entanto, encontrado demasiados políticos frágeis como cristal, incapazes de transformar ideias em desígnios cumpridos. Não admira: os partidos, hoje, são estúdios de televisão e marketing ao serviço de fracos actores. O sucesso de Marcelo Rebelo de Sousa bebe neste Alqueva desertificado. Se na política não existem fadas, o Presidente da República percebeu o défice de comunhão entre políticos e cidadãos como nenhum outro. É certo que ele não tem o poder executivo, e não pode ser crucificado pelo que não se faz, e esse escudo é potenciado com a presença no terreno. Com um discurso que todos entendem e que não é feito de enigmas e retórica, Marcelo sabe a força de António Costa, mas gostaria que o PS e o PSD estivessem mais próximos e BE e PCP mais longe do trono. E desejaria que o PSD fosse uma alternativa real de poder ao PS.

 

O problema é que Rui Rio não está a mostrar ser essa opção real. O líder do PSD até pode fazer duas mil flexões por dia, mas como se viu no seu surreal encontro com os deputados, a ruptura é para sempre. Não é à toa, a acreditar no que transpirou com facilidade, que um deputado diz estar a "borrifar-se" para as opiniões de Elina Fraga e outro pede desculpas públicas a Rio. Pior: ficou ali provado que Luís Montenegro é o fantasma que assombrará esta liderança. Mesmo se, ao contrário do que pensa Teresa Morais, neste Portugal os mandatos de deputados não são do povo, mas do chefe do partido. Como se vê todos os dias no Parlamento. E essa é a arma de Rio para as listas das eleições de 2019. A roleta-russa era a forma de suicídio dos cossacos e não dos nossos deputados. O problema do PSD é outro: tem máquina e estrutura, mas tem um défice de imaginação política. Falta-lhe ainda uma canção que os portugueses possam assobiar a caminho do futuro. É isso que Rio ainda não tem para partilhar.

 

Grande repórter

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