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João Lobo Machado 13 de Março de 2008 às 13:59

Mas afinal de quem é a culpa?

Em anteriores artigos já tenho falado na questão das expectativas dos Portugueses e no estado da nação. Sendo, por natureza, optimista, não posso – nem devo – alhear-me da realidade, sobretudo olhando para os mais desfavorecidos. Nesta óptica importará,

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Gostaria que o futuro, sobretudo já num curto prazo, se apresentasse risonho mas, infelizmente, fruto de péssimas opções, de inúmeros descuidos e, porque não dizê-lo, até de muita e variada incompetência, a verdade dos factos é que o futuro do país, a médio prazo, será o resultado daquilo que foram (e são) as escolhas e medidas tomadas.

Muito se falou das conquistas de Abril de 1974, mas o país não podia ter ficado à sombra da bananeira e não ter um claro plano de desenvolvimento, permitindo a “banalização” dos cargos políticos e empresariais. Apesar disso e ao contrário de outros parceiros europeus, Portugal não conseguiu dar o salto estando hoje, salvo honrosas excepções, na cauda dos “rankings” europeus.

O nível da pobreza - sobretudo nas crianças e idosos -, o embaraçoso desemprego, os fracassos das políticas, entre outras, da justiça, da cultura e, sobretudo,  da educação (sem prejuízo de, muitas vezes, as estatísticas internacionais revelarem que os insucessos são devidos a outras razões que não sejam a falta de verbas, pois aí estamos, em muitos casos, ao nível de outros países) constituem indicadores muito preocupantes que, por isso, deixam antever tempos muito difíceis para o nosso futuro.

A educação, num sentido mais lato, é um pilar decisivo para semear as estruturas de desenvolvimento de um país. Em Portugal, os sucessivos governos têm apostado no “cavalo errado” e, mais recentemente, assistimos mesmo à gritante incoerência de um discurso de reforma e aposta na educação (será que o relevante é mesmo ensinar inglês nas escolas, quando há tanta coisa que está francamente mal?) enquanto que, na prática, o governo vai, paulatinamente, asfixiando a Universidade Católica que - quer se goste quer não – é uma instituição reputadíssima interna e, também, externamente.

Em Portugal, tem faltado a estratégia e planos de desenvolvimento, tendo havido governos a mais e trabalho a menos. Infelizmente, muitos ex-governantes e ex-autarcas, muitas vezes sem obra feita, quando terminam as suas funções ou são substituídos, encontram à sua espera um lugarão - em linguagem popular, um “tacho” -, havendo mesmo casos, à direita e à esquerda, em que os cofres do Estado pagaram avultadas indemnizações, de merecimento discutível, e não houve qualquer responsabilização, ou seja, a “culpa morreu solteira”.

Mais curioso, no entanto, é que estes maus hábitos e péssimas práticas de gestão, são, muitas vezes, copiadas pela iniciativa privada, prejudicando os trabalhadores e seus agregados familiares.

Ao invés de terem algum pudor, pela má figura feita e pelo desperdício das oportunidades de desenvolverem o país, alguns desses empresários, políticos e governantes, mostram-se altivos e muito pouco humildes. Seria bom que entendessem o sentido da palavra serviço e daquilo que deveria ser o seu papel. Pelo menos, se fossem conscientes, reconheceriam o seu fracasso e retiravam-se de cena, poupando o país e as instituições e, especialmente, os Portugueses, a tantos dissabores.

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