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Sérgio Figueiredo 31 de Março de 2004 às 16:28

Missão possível

No dia 22 de Julho de 2002, a probabilidade de alguém endireitar a RTP era exactamente igual à do Sporting ainda roubar este ano o título de campeão ao FC Porto.

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No dia 22 de Julho de 2002, a probabilidade de alguém endireitar a RTP era exactamente igual à do Sporting ainda roubar este ano o título de campeão ao FC Porto.

Nesse dia, daquele “Verão quente” da 5 de Outubro, um grupo de gestores públicos entrava em serviço, sob a descrença generalizada de uma população que tinha acabado de acreditar no Governo que os nomeara.

Havia razões para assim acontecer. O país estava habituado a ver sempre o mesmo espectáculo, o entra-e-sai de administrações de uma empresa que, há muito, estava transformada num cemitério de gestores. Uns bem intencionados. Outros nem por isso.

E aqueles, a equipa de Almerindo, eram mais uns. Não foi preciso deixar passar muitos meses para perceber que, agora sim, podia ser diferente. Mas já passou tempo suficiente para, agora sim, com alguma segurança, dizer que a RTP é o “milagre do PSD”.

É a glória de um ministro e o troféu deste Governo. Mas é, antes de tudo isso, uma lição para todos os portugueses. A prova de que, afinal, nós não temos qualquer incompatibilidade genética com tudo aquilo que sempre encontramos nos outros.

A capacidade de gestão, a coragem para reestruturar, a decência para moralizar - enfim, a tenacidade necessária para recuperar empresas que todos esperam que morram. A RTP apresentava défices crónicos. Custos insuportáveis. Estrutura absolutamente irracional.

Roubalheira à mistura. E um“output”, o tal serviço público, cada vez mais miserável. Em suma, a empresa era um caso perdido. Como são considerados perdidos os casos da CP, da Carris, do Metropolitano e, até ver, da própria TAP.

Este Governo, se alguma coisa importante tem para apresentar, no balanço de dois anos de legislatura, é a prova material de que é possível, num espaço de tempo razoável, transformar um caso perdido num caso emblemático.

É, por sinal, o mesmo Governo que nada fez nas empresas já referidas - e que, afinal, constituem praticamente a totalidade do sector de transportes públicos do país. É um escândalo a situação que, há anos e anos, se vive na CP.

É um escândalo o ponto a que se deixou chegar uma empresa como a Carris - que, como a população utente sabe, está refém de uns “grupos armados” sempre prontos a reivindicar direitos, mas jamais empenhados a cumprir deveres.

E é um escândalo que, pura e simplesmente, ninguém fale disso. Nuno Morais Sarmento tutela a comunicação social e tem o mérito de não ter desistido. Tem também a sorte de ter acertado, na escolha de Almerindo Marques e da administração que o acompanha.

Nuno Morais Sarmento é o ministro da Presidência e pelo seu gabinete passa tudo o que é relevante e sobe a Conselho de Ministros. É, portanto, cúmplice nesta omissão grave.

O mínimo que deve fazer é convidar Carmona Rodrigues para frequentar um estágio na RTP.

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