Pedro Santana Lopes
Pedro Santana Lopes 01 de maio de 2019 às 20:15

Mudança incompreensível

Manda a verdade dizer que os privados, no geral, construíram bons hospitais e estruturaram boas equipas de gestão, com excelentes profissionais. Também os há no Serviço Nacional de Saúde.

A hesitação estratégica e ideológica do Governo quanto às PPP na Saúde, é muito difícil de explicar. O PS sempre praticou muito PPP, nas mais variadas áreas, também no domínio rodoviário. Nunca ouvi os ministros da Saúde do PS, falarem contra as PPP, pelo contrário. Honra seja feita a António Arnaut que foi ministro da Saúde antes delas nasceram e que sempre marcou a sua distância. Mas outros ministros como Correia de Campos, Ana Jorge, Manuela Arcanjo, Adalberto Campos Fernandes, no geral, sempre respeitaram, ou até mesmo elogiaram as vantagens desse instrumento jurídico-económico. É compreensível que o tenham feito porque, se há área em que o dinheiro escasseia, como se tem visto, e onde os resultados da gestão publica, não têm sido fáceis é a área da Saúde.

O PS agora queria mudar de posição em relação a esse seu passado distante ou recente, mas porquê? Porque tem parceiros de esquerda? Não fica bem, numa matéria tão importante para a vida dos portugueses, mudar de posições consoante os parceiros que se tem. O PS, entretanto, caiu em si e com mais ou menos influência de Belém, arrepiou caminho e afastou, ao que parece, soluções radicais. Coloca-se então nova duvida: para a ministra da Saúde é igual, ou seja, tanto proíbe PPP como admite as PPP. Há uns bons anos, num pequeno ensaio de Ciência Política, chamei estas pessoas, capazes de executar programas diferentes, ou mesmo contraditórios, "técnicos de representação permanente". Estão sempre disponíveis para representar no Parlamento ou para trabalhar num Governo, seja qual for a orientação programática. Em minha opinião, não faz sentido nenhum sequer admitir a exclusão das PPP.

 

Manda a verdade dizer que os privados, no geral, construíram bons hospitais e estruturaram boas equipas de gestão, com excelentes profissionais. Também os há no Serviço Nacional de Saúde, mas o problema do SNS é o da falta de meios, falta de dinheiro, falta de boas regras de financiamento.

 

Os portugueses têm direito a que seja bem resolvida a situação do sistema global de saúde para que os preconceitos ideológicos que proclamam a tendencial gratuitidade deixem de castigar aqueles que menos têm e que nem têm sequer liberdade de escolha. É também disso, e muito disso, que tem de se tratar na campanha eleitoral seguinte, para as legislativas e, com a respetiva adequação, também na campanha para as regionais da Madeira. Com tantas eleições a decorrerem este ano, espera-se que os órgãos de comunicação tirem algum tempo aos temas a que normalmente dedicam mais horas e deem espaço, em todos esses atos eleitorais às matérias em que os portugueses vão ter que fazer escolhas muito importantes para as suas vidas. 

 

Advogado

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