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Paulo Carmona 06 de Agosto de 2018 às 21:50

Mudas a bem ou a mal?

Claro que Centeno se quer ir embora. Como todos foram. Só que desta vez, atrás dele virá o dilúvio. Já sinto pena do seu sucessor…

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A FRASE...

 

"O Estado Social, tal como foi construído entre nós a partir dos anos 70 (e construído na Europa no pós-Segunda Guerra Mundial), não é sustentável."

 

Joaquim Miranda Sarmento, jornal Dia 15, 15 de julho de 2018

 

A ANÁLISE...

 

Um pouco por toda a Europa esta frase tem perturbado as sociedades, as quais resistem o mais possível nas suas zonas de conforto, a uma mudança que inevitavelmente acontecerá. Alguns países, mais prudentes e pragmáticos, já anteciparam e condicionaram a reforma do Estado Social. Uns duma forma rápida como a Suécia nos anos 90, outros mais lentamente, como a Alemanha no final dessa década com o chanceler Schroeder.

 

Ou seja, os países que nós admiramos, nomeadamente a Escandinávia, assumem a evolução dos modelos que a realidade exige, falta de crescimento económico e esvaziamento demográfico, o oposto do que existia quando este sistema foi criado.

 

Nós por cá não fazemos "evoluções", somos um povo muito conservador. Resistimos à mudança até ao último minuto e… depois rebentamos em bancarrotas e revoluções. Sem nunca aprender a lidar com a necessária adaptação à realidade.

 

A Suécia entendeu bem que necessitava de reformar e liberalizar a sua economia, de forma a conseguir gerar mais riqueza e assegurar o aumento crescente e incessante das prestações sociais que a demografia impõe. O país de Olof Palme é hoje uma referência para qualquer liberal. Tem uma economia e um Estado muito liberalizado, na educação, burocracia, saúde, segurança social, etc., destacando-se no mundo como um dos Estados mais avançados e com melhores garantias e cuidados sociais.

 

Bem longe dali, e depois do pântano e do discurso da tanga, para cuidar das necessidades crescentes do nosso Estado Social, em vez de nos preocuparmos com a economia e com as empresas, endividámo-nos. Os resultados estão à vista.

 

Continuamos e continuaremos a ter necessidades crescentes de financiamento do nosso Estado irreformado, prestador, regulador e garante social, presa fácil de gente sem escrúpulos e fonte de negociatas e corrupção. Sem grande crescimento que reponha riqueza, e sem possibilidade de mais endividamento, enveredámos por cativar, garrotear, asfixiar, etc., essas necessidades. Basta ver a maioria dos serviços públicos a definhar por falta de verba. É apertar até rebentar. Claro que Centeno se quer ir embora. Como todos foram. Só que desta vez, atrás dele virá o dilúvio. Já sinto pena do seu sucessor…

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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