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Joaquim Aguiar 28 de Julho de 2014 às 19:33

Músicas do passado

Muito antes do triplo choque do início do século - desde 1992, como já tinha acontecido depois de 1974 - que a economia portuguesa perdeu potencial de crescimento, e o pouco que teve foi induzido por endividamento.

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A FRASE...

 

"Construir uma alternativa que não aceite o impasse de que não há mais vida para além do défice e da dívida, e que assume que a consolidação só é sustentável com crescimento e com emprego e estes só resultarão da superação das causas estruturais da estagnação."

 

António Costa, Público, 26 de Julho de 2014

 

A ANÁLISE...

 

Basta pedir uma alternativa para logo se ficar a saber o que conduziu até aqui e o que impede de sair daqui. O que se encontra é a mesma música que foi tocada no passado, que não teve sucesso nem tem aplausos. Mais significativo ainda que a repetição das músicas é o modo como se apresenta a formação da crise. Tudo teria começado com um triplo choque no início do século: a criação do euro, o alargamento da União Europeia a leste, a entrada da China nos mecanismos internacionais do comércio livre. Portugal não fez nada errado, e este é o argumento necessário para voltar a tocar as músicas do passado.

 

A realidade não confirma esta ilusão. Muito antes do triplo choque do início do século - desde 1992, como já tinha acontecido depois de 1974 - que a economia portuguesa perdeu potencial de crescimento, e o pouco que teve foi induzido por endividamento. Quem não quiser ver isto, quem não reconhecer que um mercado exíguo como o português só pode crescer pelos impulsos do exterior, nunca conseguirá sair do abismo para onde a crise nos atirou. Há, de facto, mais vida para além do défice e da dívida, mas é uma vida de péssima qualidade, sem crescimento e sem emprego.

 

António Costa oferece um compacto musical com o catálogo dos erros cometidos e diz que isso é uma agenda para a década. Não é, já foi - e não serviu.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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