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Nossa Senhora do Resgate

O ambiente de fezada que se vive em Portugal, embalado pelo novo ciclo do Governo e pelos sinais de retoma iminente que algumas almas fervorosas antecipam, justificaria uma ida de Passos Coelho à ermida da Nossa Senhora do Resgate. Pouco conhecida da maioria dos portugueses, o nome desta Senhora é reconhecido além atlântico (Brasil), onde teve os seus momentos de glória.

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O resgate da Senhora refere-se às almas. A lenda relaciona-a com um milagre em que mãe e filho – que haviam naufragado três dias antes ao largo do Brasil, então português – foram resgatados com vida. Claro que este milagre só foi possível porque a mãe, na aflição do naufrágio, prometera que, se Nossa Senhora os salvasse a ambos, mãe e filho de colo, se tornariam seus servos até ao fim das suas vidas.


A analogia é irresistível: quase 300 anos separam o milagre consumado do milagre desejado. Num caso, o resgate de mãe e filho das profundezas das águas revoltas do Atlântico. Noutro, o resgate de um país das águas fétidas da bancarrota. Também o governo português se encomendou a uma entidade superior, a troika de credores, prometendo cumprir os seus mandamentos em troca do milagre da salvação nacional.

Também o governo português se encomendou a uma entidade superior, a troika de credores, prometendo cumprir os seus mandamentos em troca do milagre da salvação nacional.

No caso português, o milagre está a levar mais algum tempo… Compreensivelmente, pois é mais complicado salvar Portugal com o actual programa de ajustamento do que salvar mãe e filho das profundezas das águas.

Mas nada está perdido. A esperança é a última a morrer e os tempos aconselham fé, muita fé. Passos deve guardar ainda fresco na sua memória o forte aplauso que recebeu quando entrou na Igreja de Santa Maria de Belém. Desde então, a vida de Passos melhorou. Não só conseguiu evitar eleições antecipadas, como ganhou um governo mais forte e uma leve esperança que se espalhou pelo País, levada por tímidos indicadores e pelo ambiente balnear.

Mas Passos não se deve fiar em tão pouco. É que a sua intenção de consolidar as contas públicas, pagar a dívida e pôr o País a crescer é tão exigente como salvar mãe e filho das profundezas do Atlântico. Talvez uma velinha na ermida da Nossa Senhora do Resgate, ali nos Anjos, em Lisboa, ajude. Pior não fará.

Editor de Economia
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