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Nuno Ribeiro da Silva 17 de Setembro de 2004 às 13:59

Notas Soltas

E se os organismos corporativos do nosso país começassem a ser sérios e a colocar o cidadão na primeira linha das preocupações?

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1. Os ricos que pagam a crise?

Francamente já irrita esta constante discriminação das pessoas que «ganham bem» ou «menos mal»?

Afinal, não existe um IRS que obriga os indivíduos com rendimento mais alto a entregarem até 40% do que ganham ao Estado?

Pagando esta «congra» do pecado de trabalhar mais do que a maioria dos portugueses e contribuir mais do que a maioria dos portugueses, para a criação de riqueza para o País - já agora nunca «meti» um dia de «baixa» em 27 anos de trabalho, - porque tenho de pagar mais pelo serviço de saúde, pela SCUT, pelo passe social, pela escola, pelo crédito à habitação, pelo?

De facto, vivemos num país onde a «moralidade» judaico-cristã, dificilmente se distingue da visão comunista da sociedade.

2. Banco Mundial esclerosado?

O relatório sobre o desenvolvimento / pobreza é completamente anacrónico, surrealista, nas conclusões que retira, fruto de uma metodologia serôdia nos indicadores que usa, para tirar conclusões que, felizmente, todos vemos que são desajustadas da realidade.

Conclui que na Europa Ocidental existe uma pobreza crescente e que Portugal está cada vez mais pobre e miserável. Só pode ser escrito por uma pena de Washington, com base naquela profunda sensibilidade e conhecimento que o americano médio tem do mundo?

Eu que andei, desde 1969, pelo sítios mais recônditos de Portugal a fazer recolhas etnográficas, garanto que nenhum sádico ficará saciado ao visitar hoje a Sé no Porto, Alfama em Lisboa, Stº. Aleixo da Restauração, Rio D’Onor, Tuizelo, Aldeia Nova de São Bento, Câmara de Lobos, etc, etc?apesar dos problemas!

Com todo o respeito, será que um «sem abrigo» de Paris é «mais pobre» e tem menos oportunidades do que o cidadão médio do Bengladesh, ou mais de 80% da população da Africa sub-Sahariana?

A economia e a sociologia merecem serem mais bem tratadas!

3. Acidente de Matosinhos?

A boa noticia é que uma comissão de inquérito apresentou conclusões claras dentro do prazo (útil) prometido.

Não fiz parte da comissão de inquérito, para ajuizar se as conclusões reflectem os factos na integra, mas, independentemente de divergências «processuais» entre os Ministros responsáveis, ambos confirmam as conclusões e deram noticia aos portugueses.

A má notícia é que a Comissão de Trabalhadores da Petrogal, como é clássico no nosso País entre Ordens e Sindicatos, imediatamente veio dizer que «o patrão» é que tinha a culpa e os trabalhadores são todos uns anjos.

No nosso país, morre alguém no hospital por incúria médica, mas não há médicos e para-médicos maus, segundo a Ordem dos Médicos.

Os comboios chocam ou descarrilam, mas o Sindicato dos Maquinistas invoca «cabala» contra os seus filiados.

O país arde, mas os bombeiros - até os pirómanos - são competentes.

Enfim, é o fado. E se os organismos corporativos do nosso país começassem a serem sérios e a colocar o cidadão na primeira linha das preocupações?

4. SCUT’S, portagens e Via do Infante

A decisão do Governo em fazer pagar quem utiliza a estrada agora, é correctíssima, em vez de estar a aumentar a factura do deficite público a pagar pelos nossos filhos pelos «pó - pós» em que nos passeamos hoje.

Esperamos é que esta «boa ideia» do actual Governo, não se «embrulhe» em invenções sobre fazer pagar mais o carro rico do que o carro pobre, ou o «indegena» face ao «forasteiro»?

Sabemos todos que o transporte rodoviário, sobretudo o transporte particular - mas também de passageiros e mercadorias, face ao ferroviário - é muito mais poluente e penalizador para o país em factura energética. Este ano iremos pagar mais 600 a 900 milhões de euros pelo petróleo que importamos?

Incompreensível é a reacção do meu amigo Macário Correia, da Câmara de Tavira, profundo conhecedor e defensor de causas ambientais, aparecer a insurgir-se contra as portagens na Via do Infante. Mais coerente seria «aproveitar» a ocasião para defender a reabilitação da linha de caminho de ferro do Algarve e lembrar à «CP» que existe para servir as pessoas?

5. O discurso do Ministro das Finanças

Bagão Felix vem assumir com coragem que o «aperto» da gestão orçamental de Ferreira Leite, não conseguiu ir além de atrasar o pagamento das facturas do carro, da agência de viagens e do caviar do supermercado, sem que nada tenha mudado nos hábitos de «aristocrata falido» do nosso Estado.

Não percebo os políticos que se entretêm a «surfar», nem as pessoas que passam a vida a «fazer de conta» ?

Os quarenta mil (!), ditos «professores» excedentários - por favor, tenham mais filhos - vão continuar à procura do seu nome nas pautas, uma vez por ano, cada ano toda a vida?

Algum pensou em promover um negócio ou «reconverter-se» à enfermagem, isto, claro, se o Sindicato / Ordem (?) dos Enfermeiros permitir?

E quanto aos responsáveis de cargos políticos, que tal explicarem aos não-funcionários públicos porque podem perder o seu emprego, embora todos sejamos iguais em direitos, liberdades e garantias, segundo a constituição?

Todos sabem que o défice público é incompressível, até se despedirem dezenas de milhares de funcionários públicos da Administração Central e Local.

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