Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 08 de fevereiro de 2018 às 19:38

O alerta da bomba-relógio demográfica

Portugal está no ranking mundial dos países mais endividados (em percentagem do PIB) e dos mais envelhecidos e onde nascem menos crianças. É uma combinação explosiva para a sustentabilidade das contas públicas.

Neste país, nem governos, nem as elites se preocupam demasiado com o futuro. O foco principal é o curto prazo. Quem manda tem como prioridade manter o poder, ganhar as próximas eleições. Por isso este país navega à vista, conforme a conjuntura e tão dependente dos ventos externos. Se a conjuntura internacional é favorável e os credores estão dispostos a abrir os cordões à bolsa, tudo corre bem e até dá para criar a ilusão de um aparente milagre económico, mas se há alguma tempestade e os juros sobem, lá vem a desgraça e o recurso forçado a um resgate externo.

 

Sim, a economia em 2017 teve um comportamento muito positivo e a redução do desemprego é uma excelente notícia, mas a longo prazo permanecem as nuvens negras.

 

Portugal combina dois factores que não garantem qualquer segurança no futuro. É dos países mais endividados do mundo (em percentagem do PIB) e é também dos mais envelhecidos.

 

Estes factores são uma bomba-relógio que pode explodir e se em relação à dívida pública, nem em tempo de vacas gordas há preocupação com a subida, em relação à anemia demográfica temos assistido a desinteresse absoluto, sendo apenas uma preocupação política dos municípios do interior, que já assistem a uma assustadora quebra populacional.

 

O défice demográfico das últimas duas décadas entre as crianças que nasceram e as que deveriam ter nascido para assegurar a regular substituição de gerações, já ultrapassa os 500 mil nascimentos. Num país que ainda ronda os 10 milhões de pessoas e que a médio prazo vai baixar esse patamar de habitantes é uma diferença brutal, com graves consequências sociais e económicas.

 

Numa análise divulgada esta semana, a agência Moody's diz que o envelhecimento da população e a pressão que exerce sobre as contas públicas, nomeadamente sobre a saúde, traz desafios que podem prejudicar a avaliação do 'rating' de Portugal.

 

A inversão da pirâmide demográfica com cada vez mais idosos e menos jovens e trabalhadores activos vai pressionar severamente as contas públicas e os sistemas de protecção social. E num país em que não há muitas poupanças e a tradicional rede familiar também está fragilizada é fácil prever que a bomba-relógio demográfica pode significar uma catástrofe social. Já estamos com décadas de atraso. A forte emigração do período pós-troika agravou o problema, mas o combate ao inverno demográfico tem de ser uma prioridade, a começar com um tratamento fiscal privilegiado para as famílias com filhos.

 

Saldo positivo: recorde na indústria têxtil  

 

É bom saber que a indústria têxtil vive um período muito positivo com um volume de exportações, em 2017, de 5,2 mil milhões de euros, um recorde histórico, segundo a associação do sector. Estes dados indiciam que os casos trágicos da Ricon e da antiga Triumph, que custaram em conjunto mais de mil postos de trabalho, são desastres pontuais, "infeliz coincidência", como lhes chamou a associação têxtil e não reflectem o estado desta indústria tão importante para a economia do País.

 

Saldo negativo: Bruno de Carvalho

 

O monólogo do presidente do Sporting aos sócios do clube transmitido pelas televisões foi um espectáculo com audiência, mas deprimente. Após uma derrota da equipa de futebol no Estoril e de uma assembleia-geral interrompida, o discurso inspirado nos estilos de Fidel Castro e Chavez parecia uma peça de teatro do absurdo. Há frases que vão ficar na memória colectiva por algum tempo, mas pelas piores razões. Bruno faz de Quim Barreiros um poeta de referência.

 

Algo completamente diferente: um país de capelinhas dependentes do Estado

 

Um dos problemas da cultura em Portugal é que é demasiado dependente da distribuição do dinheiro do Estado. Esta dependência tende a criar grupos organizados de verdadeiras capelinhas. Se alguém deles ocupa um lugar com acesso às rendas públicas, tentam mantê-lo, independente do mérito. É o caso de um manifesto contra a saída de Nuno Artur Silva da administração da RTP. Sai por causa das ligações perigosas entre a empresa pública e as suas empresas privadas. E a maioria das pessoas que assinam o documento estão envolvidas, directa ou indirectamente, nessa rede.

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comentários mais recentes
Alentejano 13.02.2018

e depois disso criar regras iguais para todos não é um sistema para o privado e um sistema para o publico e assegurar que os impostos não mais possam ser utilizados para a compra de votos (é a suprema iniquidade que a maioria se vote o direito aos recursos alheios ate nos tornarmos a Venezuela)

Alentejano 13.02.2018

Uma solução para o problema seria pagar a verdadeira divida deste pais que é a divida que os velhos caquécticos tem à cova para os homens já vai numa década para elas uma década e meia. Uma pandemiazinha para nos tirar o peso das reformas desses chupistas e quebrar o status quo politico.

Alentejano 13.02.2018

Baixos salários, demasiados impostos, morte cultural da nossa identidade (femenismo é cancro e essa comissão da igualdade deveria ser queimada numa fogueira). Queres Bebés? Da-nos liberdade mas gente livre é perigosa para quem depende dos outros para ter a sua sobrevivência

Alentejano 13.02.2018

artigo da treta não toca onde doí e assim não chateia ninguém excepto eu pelas ligações leoninas!
ninguém tem filhos sem esperança no futuro, sem confiança no/a parceiro/a e infelizmente estes millenials são uma trampa deseducada sem formação e dependentes do dinheiro dos outros (pais avòs etc.)

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