Bruno Faria Lopes
Bruno Faria Lopes 17 de maio de 2018 às 20:57

O brunismo choca no muro financeiro

Bruno de Carvalho tornou-se, por sua iniciativa, num activo tóxico. Se a falta de condições no plano moral não chegava para lhe tirar a arma das mãos, o dinheiro é o muro contra o qual iria sempre esbarrar.

Até ao colapso da liderança de Bruno de Carvalho, as notícias conhecidas sobre a situação financeira do Sporting não eram dramáticas. O Sporting vinha de um ano bom do ponto de vista financeiro, com receita recorde de venda de jogadores e de patrocínios, e conseguira há meses uma reestruturação significativa do passivo junto do Novo Banco e do BCP. A pressão financeira, contudo, não desaparecera, como demonstrou o adiamento por seis meses do reembolso de um empréstimo obrigacionista - adiamento que deve ser lido mais como um reflexo da pressão constante sobre as finanças do clube do que apenas como um efeito do conflito entre Bruno de Carvalho e o plantel de futebol. Apesar das receitas cada vez maiores com a venda de jogadores - 850 milhões de euros em seis anos, segundo a Bloomberg - é esta a vida financeira das SAD desportivas. O Sporting está longe de ser excepção.

 

Mas as últimas semanas, em particular os últimos dias, vieram trazer uma série de riscos graves às finanças do clube. O primeiro é o risco de desvalorização brutal do plantel de futebol, ou seja, do activo não corrente do Sporting. Parte deste risco parece ser já irreversível, mas é seguro dizer que será tanto maior quanto mais tempo o presidente do Sporting ficar no clube. Os jogadores fartos do estilo do presidente-adepto responsabilizam, correctamente, Bruno de Carvalho pelo ambiente de hostilidade inédita e de negligência extrema sobre a sua segurança. Bas Dost, o craque que ilustra a capa do relatório e contas de 2017, acabou pontapeado e agredido com barras de ferro no chão do balneário. É disto que estamos a falar. Não surpreende o risco de uma chuva de rescisões.

 

Nestas circunstâncias, agravadas pelas suspeitas de corrupção - que podem significar a prazo o maior dano desportivo e financeiro para o Sporting - não dá para ver como o clube se pode financiar este ano com Bruno ao leme. Uma emissão de dívida no mercado é impossível perante a convulsão que ameaça o valor do emitente. Mesmo uma colocação privada de dívida dependeria da vontade, inexistente, de alguns investidores continuarem a alimentar o estilo suicidário do presidente do clube. Lembre-se de que há apenas um mês, num comunicado à CMVM, a própria administração do Sporting considerava que da emissão de dívida de 30 milhões de euros dependia a "estabilidade financeira" do Sporting.

 

Se a este cerco garantido somarmos o dos patrocinadores - o principal, a Nos, fez um aviso claro à navegação - percebe-se a debandada tardia dos órgãos sociais do clube e o ultimato tardio de accionistas como Álvaro Sobrinho. Bruno de Carvalho tornou-se, por sua iniciativa, num activo tóxico. Se a completa falta de condições no plano moral não chegava para lhe tirar a arma das mãos, a falta de dinheiro é o muro contra o qual iria sempre esbarrar. A dúvida está em saber quanto tempo levará a sair e qual o dano que uma eventual demora causará. À hora a que escrevo estas linhas o dirigente Bruno de Carvalho, totalmente isolado, tem a sua liderança em cinzas. Money talks.

 

O fim atempado do brunismo evita uma espiral de agravamento, mas os riscos atrás referidos mantêm-se: o impacto da perda reputacional do Sporting na atracção, retenção e rentabilização de jogadores; a saúde financeira do clube; o impacto eventual das investigações judiciais. É precipitado fazer o enterro financeiro do clube? Sim. Mas a capacidade que o Sporting tiver para gerar uma liderança credível e eficaz será crucial para mitigar estes riscos, para minorar o prolongamento do Inverno desportivo e para o mais importante: regenerar o clube no plano moral. No contexto actual, interno e externo, esta é uma prova difícil e sem sucesso garantido.

 

Jornalista da revista Sábado

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comentários mais recentes
ahah Há 3 dias

Comentário lúcido!!! Só é pena que personalidades publicas com relevo na vida profissional e respeitadas, só agora tomem posição e retirem o apoio dado aquele rapazinho que não passa de um "enfant terrible" habituada a diatribes e paleio grosseiro. Eu gosto de Futebol ....

Fpublico condenado a 48 anos trabalho/descontos Há 4 dias

existem bruno pq ha otarios a ir a bola

JOGAR A BOLA É TRABALHAR?

Mr.Tuga Há 4 dias

Num pais a "SÉRIO" ha muito estava fora de bolsa e FALIDO !!!!!!!!!!!!!

Não tenho pena nenhuma destes asnos inuteis e despesistas da TRAMPA dos fuiitibois!!!
Podem FALIR TODOS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

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