António Moita
António Moita 17 de fevereiro de 2019 às 19:45

O Costa do Castelo

Carlos Costa vive num castelo que, ao invés de ser uma fortaleza inexpugnável que impede a entrada de forças infiéis no nosso sistema financeiro e as rechaça sem piedade, se transformou numa espécie de mistura entre um queijo suíço e um de Castelo Branco.

De instituição respeitável o Banco de Portugal foi perdendo importância enquanto elemento fundamental da condução de política monetária e cambial do País, tendo-se tornado um centro de emprego qualificado onde se multiplicam os estudos, as análises e as notas de informação estatística sobre diversas matérias. Além disso parece que também tem um departamento de supervisão das instituições financeiras que tem por missão receber informação sobre a atividade bancária e estar atento à comunicação social para perceber se mais algum escândalo estará para acontecer. Também se dedicam, com brilho, à emissão de moedas comemorativas e de coleção.

 

Esta visão caricatural do que é hoje o Banco de Portugal não resulta de um propósito gratuito de denegrir a instituição nem pretende subestimar a sua importância. Resulta, isso sim, da imagem que nos tem sido transmitida ao longo dos últimos anos pelos seus principais responsáveis. Merecem destaque especial, pela negativa, figuras como Vitor Constâncio e Carlos Costa.

 

Espera-se que o Banco de Portugal seja o referencial da estabilidade do sistema financeiro e que tenha a capacidade para fiscalizar o seu bom funcionamento, aplicando sempre que necessário, medidas preventivas ou sancionatórias. Se a função tem vindo a ser cumprida não temos, nós portugueses, dado por isso. Temos, ao contrário, milhares de milhões de euros dos nossos impostos canalizados para a resolução de problemas que o Banco Central não foi capaz, ou não quis, ver atempadamente.

 

Perante tudo isto não deixa de ser estranho que o Banco de Portugal faça rolar cabeças das diferentes administrações dos bancos, ainda que de forma muito discreta ao não conferir a idoneidade para o desempenho de funções a alguns dos membros propostos, aplique coimas pesadas aos infratores ainda que não saibamos se algum dia alguma foi liquidada, mas curiosamente pouco ou nada tem feito para esclarecer os portugueses sobre as suas responsabilidades em tudo o que tem acontecido. Já para não falar de encontrar responsáveis. Responsabilidade ainda se admite que possam ter tido. Mas responsáveis isso é que já será mais difícil encontrar.

 

Carlos Costa vive num castelo que, ao invés de ser uma fortaleza inexpugnável que impede a entrada de forças infiéis no nosso sistema financeiro e as rechaça sem piedade, se transformou numa espécie de mistura entre um queijo suíço e um de Castelo Branco. Os buracos são muitos e o odor que exala é fortíssimo. Este Governador faz parte de uma tecnocracia que, tantas vezes na sombra, governou Portugal nas últimas décadas e que, por não se considerarem parte da classe política, também nunca aceitaram o escrutínio que daí deveria resultar. É tempo de virar a página. Carlos Costa deve abandonar o castelo antes que este se desmorone por completo.

 

Jurista

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