Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 14 de junho de 2018 às 19:51

O divórcio entre Governo e professores 

A guerra dos professores contra o congelamento de carreiras criou o primeiro divórcio entre os docentes e o Governo. É o fim de um casamento idílico com um grande período em lua-de-mel.

O divórcio entre o Governo e os professores, por causa do descongelamento das carreiras, é o conflito laboral mais importante que até agora António Costa enfrentou. Isto porque os docentes, além de numerosos, têm verdadeiro impacto social. Pertencem ao núcleo duro da Função Pública, que, a par dos reformados, foi dos grupos mais beneficiados pela entrada da geringonça no Governo.

 

A popularidade do Executivo e do primeiro-ministro disparou com as primeiras medidas antitroika que devolveram rendimentos aos funcionários públicos e reformados. Mas como explica a teoria de satisfação de necessidades, elaborada por Maslow, depois de satisfeitas as expectativas, há novas para preencher. E os professores que têm a carreira congelada desde o governo de Sócrates, já antes do resgate da troika, querem naturalmente recuperar os escalões perdidos durante esse congelamento, o que significa muito dinheiro ao fim do mês. Os sindicatos querem que os nove anos e quatro meses em que a carreira está parada contem para as novas progressões, mas o ministro da Educação fez um ultimato, ou só contava menos de um terço ou não contava nada.

 

Obviamente, este ultimato marcou o fim do casamento idílico que os sindicatos de professores e o Ministério da Educação mantiveram nos primeiros anos de Governo, sendo que a maior parte do tempo até foi de autêntica lua-de-mel.

 

As negociações ainda vão no adro, mas António Costa já lembrou que o Estado não tem os 600 milhões para fazer face à exigência dos docentes.

 

Esta declaração do primeiro-ministro é também a constatação pública de que a austeridade não acabou. Aliás, nota-se neste Governo uma maior preocupação pública com o desempenho das finanças públicas desde que Mário Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo. O Governo já repete ideias que têm a marca registada de Vítor Gaspar: "Não há dinheiro."

 

Tudo isto complica as negociações do próximo Orçamento do Estado. É o último orçamento desta geringonça e PCP e Bloco querem trunfos eleitorais.

 

É possível que um dos danos deste conflito com os docentes seja a quimera da maioria absoluta, que até recentemente estava na mira do PS. Ainda falta muito tempo para as eleições. E apesar de a economia revelar sinais de abrandamento, se os juros continuarem baixos até às legislativas, António Costa sai favorecido. Com mais ou menos drama, este orçamento será aprovado à esquerda. E no próximo ano logo se vê se Costa mantém a união com o Bloco e o PCP, ou apenas só com um, ou casa à direita com o PSD de Rio.

Saldo positivo: investimento da Google

 

António Costa ouviu na Califórnia uma boa notícia para Portugal. Por ocasião da visita do primeiro-ministro, a Google anunciou o projecto-piloto do novo centro da tecnológica, em Oeiras. A unidade de formação e desenvolvimento do sistema Android em Portugal vai arrancar no final deste ano, através de um concurso aberto para o preenchimento de mil vagas. A criação de emprego qualificado é sempre  um motivo para festejar e é uma bandeira para a promoção externa destinada a captar mais investimento.

 

Saldo negativo: a novela do Sporting

 

Tudo leva a crer que a trágica novela do Sporting e da sociedade cotada Sporting SAD venha a ser resolvida nos tribunais. Bruno de Carvalho, como seria previsível, dado o seu fraco currículo empresarial anterior e ao facto de não ter alternativa profissional compatível, vai resistir até ao último minuto possível. O clube e a SAD ficam reféns do impasse numa altura decisiva para a preparação da próxima época, com os principais jogadores a rescindir e sem acesso aos milhões da Champions.

 

Algo completamente diferente: a notável conquista de Ventura em Madrid

 

No sábado passado, um português brilhou em Madrid. Não foi o habitual Cristiano Ronaldo, mas o cavaleiro Diego Ventura, que na Monumental madrilena bateu o recorde de "portas grandes". Já conta 16, o máximo histórico do recinto e conquistou um rabo, o primeiro em 46 anos na mítica praça e o único cavaleiro que até agora ali conquistou esse troféu. Um feito notável. Diego tem dupla nacionalidade: nasceu em Lisboa, mas desde pequeno vive na Andaluzia e pertence à tradição do rojoneador espanhol. E preparou a lide de Madrid na herdade que possui à beira do Tejo, perto de Alcochete. 

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comentários mais recentes
Anónimo Há 3 dias

Os animais não são para a gente torturar e divertir-se a fazer jorrar sangue do lombo, se bem que pessoalmente isso está mto longe da minha ideia de divertimento.

Infelizmente o jornalista em questão não partilha da mesma opinião.

Mr.Tuga Há 4 dias

O Toine Bost+a é chico esperto!

Deixa tudo para a ultima: ELEIÇOES !!!!!!!!!!!!
Nessa altura aumenta e promove todos....

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