Miguel Varela
Miguel Varela 14 de janeiro de 2018 às 19:15

O ensino superior em 2030 

O objetivo nacional para 2020 estipula que 20% da população portuguesa seja detentora de formação superior.

O processo de Bolonha e a democratização no acesso ao ensino superior têm contribuído para o aumento exponencial deste indicador, quando comparado com os valores pré-Bolonha. Se no final de 2005 a percentagem da população com ensino superior não ultrapassava os 9,4%, a verdade é que atualmente ultrapassa já os 18%. 

 

Os dados do  Inquérito à Educação e Formação de Adultos 2016 (INE) apesar de confirmarem que os salários variam na mesma razão que o nível de escolaridade, permitem igualmente concluir que estudar compensa cada vez menos em termos salariais uma vez que se tem assistido a níveis de remuneração cada vez mais baixos para detentores de cursos superiores, o que  "poderá estar associado ao forte acréscimo no número de pessoas que completaram o ensino superior nos últimos anos". A principal ilação a retirar desta nova realidade é que a mera titularidade de um curso superior não é garantia de melhores condições como acontecia até ao início do século. De facto, a grande questão será o que individualmente se pode fazer com o curso e não o que o diploma, por si só, faz por cada um. Mais uma vez, as competências individuais de cada um, são, no presente e serão no futuro, um elemento distintivo, num mercado cada vez mais exigente e competitivo.

 

Em termos demográficos, até 2020 está prevista uma redução de 2% no número de jovens com 18 anos, que será de 14% na década seguinte entre 2020 e 2030.

 

Diversas escolas de ensino básico e secundário têm encerrado por força das baixas taxas de natalidade, pelo que este problema atingirá a médio prazo o ensino superior, que passará por redefinições de oferta formativa, reorganizações regionais e até fusões de universidades ou politécnicos. É evidente que a análise demográfica é insuficiente para perspetivar o futuro do número de alunos no ensino superior. Existem muitas outras variáveis, como a taxa real de escolarização, o ensino obrigatório, a taxa de retenção ou os alunos em mobilidade Erasmus e os alunos internacionais, já para não esquecer variáveis como o desemprego ou até o nível de rendimento das famílias.

 

 Neste ano letivo de 2017/2018, houve uma notória subida do número de candidatos ao ensino superior devido a um mix de influência de todas as variáveis anteriores. Esta tendência de crescimento deverá inverter-se a partir de 2019. Apesar de tudo, a natalidade será a variável claramente mais influente e significativa nesta análise perspetiva e dificilmente as restantes dimensões poderão compensar as acentuadas quebras demográficas, verificadas em especial a partir de 2007, quando passou a apenas um dígito (9,7%). Os números do INE revelam que, em 2017, matricularam-se no 1.º ano/1.ª vez, 113.927 estudantes (mais 1.226 que em 2016 e mais 9.672 que em 2015). Dos 113.927 alunos, 94.935 são alunos do ensino superior público e 18.992 do privado. Dos alunos matriculados no ensino superior, 62,5% optaram pelo ensino universitário e 37,5% pelo politécnico.

 

Na análise económica, a condição "ceteris paribus" (mantidas inalteradas as outras variáveis) permite verificar, de um modo pouco complexo, o impacto das taxas de natalidade nas inscrições no 1.º ano/1.ª vez no ensino superior, considerando que os estudantes ingressam normalmente com idade de 18 anos.

 

Director do ISG - Business& Economics School

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico


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