Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 08 de março de 2018 às 20:32

O esforço que motiva

É uma ideia aceite: as pessoas são menos capazes depois de tarefas que tenham exigido esforço mental; um fenómeno chamado esgotamento do ego.

Um estudo realizado na Índia pelas universidades chinesa, de Nanyang, e suíça , de Zurique, publicado no Journal of Personality and Social Psychology, mostrou, no entanto, que há casos em que quanto mais difícil for uma tarefa, melhor se desempenhará a tarefa seguinte. Deve referir-se que a concentração e o autocontrolo estão presentes na cultura indiana desde muito cedo; por exemplo, as crianças são incentivadas a meditar e a rezar desde tenra idade.

 

Esta investigação comparou a performance de estudantes suíços, norte-americanos e indianos. Avaliou-se o esforço e a evolução do seu desempenho de tarefa para tarefa. Provou-se o efeito de esgotamento do ego, mas apenas nos estudantes suíços e norte-americanos. Entre os estudantes indianos, passava-se o contrário. Confirmou-se que quanto mais eles estivessem convictos de que o esforço mental lhes dava energia, melhor eles desempenhavam as tarefas seguintes. Estes resultados contradizem a ideia de que a força de vontade e a concentração são esgotáveis e colocam o papel central na motivação e na ideia que temos do que é real.

 

Noutra experiência, os estudantes foram divididos em dois grupos, mas sem separar nacionalidades. Um grupo leu um artigo motivacional e em seguida os estudantes fizeram os testes; o outro grupo leu um texto que defendia a ideia do esgotamento do ego e depois fez os testes. Em geral, o primeiro grupo realizou a segunda tarefa tanto melhor quanto mais exigente tivesse sido a primeira tarefa. Já o segundo grupo realizou pior a segunda tarefa, mesmo que a primeira tarefa tivesse sido mais fácil.

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