Fernando  Sobral
Fernando Sobral 06 de janeiro de 2017 às 09:35

O massacre de Manaus e a situação no Brasil

O massacre na prisão em Manaus ultrapassou todos os limites julgados possíveis. Bandos que controlam o tráfico de droga no Brasil têm também um poder ilimitado nas prisões.

E, perante isso, o Estado assobia para o ar. Segundo um estudo divulgado ontem, uma pessoa é assassinada por dia em prisões do Brasil. O caso fez com que a imprensa brasileira reflectisse sobre o tema. No Estado de S. Paulo, José Nêumanne Pinto escreve: "Cenas nos perfis sociais mostrando cabeças decepadas e corpos desmembrados denunciam a barbárie vigente no Brasil em pleno século XXI, com a repetição da exibição das cabeças dos cangaceiros de Lampião e Corisco exibidas no Museu Estácio de Lima, em Salvador, em 1938. Mais grave é haver gente, como o presidenciável tucano Geraldo Alckmin, que imagina que o massacre está limitado pelos muros do presídio de Manaus."

Já no El País/Brasil, Luiz Ruffato liga tudo às vitórias eleitorais dos evangélicos: "Os evangélicos progridem onde se ausenta o Estado. Assim como os traficantes de droga. As periferias das cidades hoje estão divididas entre eles. O Primeiro Comando da Capital (PCC), uma das maiores facções criminosas do Brasil, vem expandindo seus interesses para fora dos limites de São Paulo, onde nasceu (…). Ambos os grupos almejam o mesmo objetivo: ampliar as suas hordas. Assistimos impotentes à ampliação do fanatismo e da violência, que hoje se encontram infiltrados no Executivo, no Legislativo e no Judiciário. Em nome de Deus, uns, e do Diabo, outros, pouco a pouco submetem o que resta do Brasil." E, na Folha de S. Paulo, Bernardo de Mello Franco conclui: "O governador do Amazonas, José Melo, não é um político muito original. Depois do massacre de 56 detentos no maior presídio do Estado, adotou a velha tática de culpar os mortos. 'Não tinha nenhum santo', disse, em entrevista, à CBN." O Brasil estremece.



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