Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 06 de maio de 2013 às 00:01

O "monstro" é invencivel

Este nosso Estado, gigantesco para a dimensão do país, ineficiente, omnipresente e crescentemente gastador, que Cavaco Silva apelidou de "O Monstro" é, tal como o cancro, invencível.

Este nosso Estado, gigantesco para a dimensão do país, ineficiente, omnipresente e crescentemente gastador, que Cavaco Silva apelidou de "O Monstro" é, tal como o cancro, invencível.


Resiste a todas as terapias, reaparece com mais vitalidade e maiores deficits orçamentais quando parecia controlado, mantém intactas todas as suas capacidades de sobrevivência, mesmo em ambientes hostis.

Assume várias formas e roupagens, incluindo direcções-gerais, institutos, empresas públicas, grupos de trabalho, fundações, autarquias, empresas municipais, associações públicas sem fins lucrativos, todas imbuídas do mesmo espírito gastador sem preocupações de eficiência e de utilidade.

Tem vários aliados poderosos a suportarem o seu crescimento e aumento de gordura, onde se incluem os partidos na oposição (quaisquer que eles sejam), os sindicatos, os tribunais políticos e as várias organizações de interesses, incluindo as clandestinas (as maçonarias são compostas maioritariamente por agentes e funcionários públicos).

Destruiu inteligentemente a sociedade civil fomentando e criando um batalhão de subsídio dependentes (onde se incluem alguns grupos empresariais), facilitando o endividamento excessivo das organizações privadas que assim perdiam a sua independência (o caso das associações empresariais, completamente falidas, é um exemplo paradigmático), criando facilidades no arranque das instituições, impossíveis de manter no futuro, levando à sua desagregação (foi o que aconteceu nas universidades privadas com a tolerância inicial em relação aos turbo professores).

Não se preocupa com as crises do país, porque continua a viver como se elas não existissem, ou seja, continua a alimentar os seus filhos preferidos, a exigir maior despesa e a encontrar formas de fugir à austeridade.

Na crise actual, os agentes públicos centrais e locais mantém o seu modelo despesista, com várias justificações (veja-se o recente périplo africano, com uma vasta comitiva, do autarca mais famoso do país, antes da sua detenção) e com a adopção de várias excepções às regras de austeridade (os novos 500.000 desempregados provêm todos do sector privado).

Mesmo quando parece aceitar o seu redimensionamento e alteração de paradigma, limita-se a hibernar. Para ressurgir, mais forte e actuante no futuro, recuperando todos os seus privilégios e dimensão, alargando, se possível, o seu campo de actuação (quantos organismos e empresas públicas não foram extintos e voltaram a renascer).

Este "monstro" insaciável vai absorvendo a energia produtiva do país, tornando-o mais pobre, mais triste, com mais medo da competição internacional, mais desesperançado e com menores recursos para atender aos que verdadeiramente precisam da sua existência – os mais desfavorecidos.

Tentar reduzir o tamanho do "monstro" a partir das despesas sociais, penalizando os que mais precisam e que nunca tiveram qualquer capacidade de intervir no seu crescimento e dimensão é quase criminoso.

É aceitar que o cancro se espalhou de modo definitivo por todo o país e que só temos que aguardar a morte definitiva da nossa democracia.


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