Fernando Ilharco
Fernando Ilharco 14 de junho de 2018 às 21:10

O Presidente é uma excepção

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa é uma excepção, porque o que a investigação constata é que horas de sono a menos levam a cansaço a mais, o que por sua vez gera menor inspiração e envolvimento, em nós e em quem lideramos.

Os grandes líderes, pessoas que inspiram multidões, são por vezes apresentados como gente que pouco dorme. Thatcher, Churchill, Obama, etc. Mas se pensa dormir pouco para liderar melhor, o melhor é mesmo pensar duas vezes. Um estudo do Journal of Applied Psychology mostra que a privação de sono dificulta a capacidade de envolver e inspirar quem está à nossa volta. E também reduz a receptividade a deixarmo-nos inspirar pelos outros.

 

Uma equipa de investigadores da Universidade de Washington observou cerca de cem colegas num exercício que simulava cada um deles a fazer um discurso na festa anual de graduação. Metade dos participantes estava em estado de privação de sono. Os oradores que pior dormiam foram sistematicamente considerados os menos carismáticos por parte de um júri independente da equipa de investigação.

 

Numa segunda experiência, um grupo de 109 pessoas visionou filmes de discursos carismáticos; metade delas dormia mal. Resultado? Estas pessoas, com maior privação de sono, foram as que se sentiram menos tocadas pelos discursos. A privação de sono gera menos entusiasmo, menos envolvimento, menos optimismo. Pode também levar a falta de atenção, a lapsos de memória e a uma avaliação deficiente dos riscos.

 

No entanto, em alguns líderes carismáticos, sugere a investigação, as poucas horas de sono podem ter origens genéticas, não prejudicando assim a boa-disposição, o sentido de humor ou a capacidade de inspirarem os outros; o que, com pouco sono ou muito sono, é o que faz a diferença.

 

Professor na Universidade Católica Portuguesa

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