Manuel  Falcão
Manuel Falcão 02 de agosto de 2019 às 11:24

O próximo futuro

As sondagens que se vão conhecendo traçam uma perspectiva pós-eleitoral em que a vitória do PS é certa, provavelmente sem maioria absoluta, mas com a possibilidade de bastar o apoio do Bloco de Esquerda para ter maioria parlamentar.
Back to basics
"Sabemos dizer muitas mentiras semelhantes a verdades"
disseram as musas a Hesíodo

O próximo futuro
As sondagens que se vão conhecendo traçam uma perspectiva pós-eleitoral em que a vitória do PS é certa, provavelmente sem maioria absoluta, mas com a possibilidade de bastar o apoio do Bloco de Esquerda para ter maioria parlamentar. Assim, a grande questão que se coloca é saber se António Costa vai querer romper a actual aliança tripartida PS-PCP-Bloco , substituindo-a por um acordo exclusivo com o Bloco e eventualmente com o apoio do PAN, que tudo indica crescerá em votos, como aliás se prevê que possa acontecer com o BE. A menos que o efeito da greve dos camionistas e dos múltiplos casos que estão a castigar o Executivo produzam um desgaste grande da imagem do PS, o resultado previsível aponta para uma continuação de António Costa como primeiro-ministro. A única questão em aberto é saber como se formará a maioria que irá sustentar o seu Governo no Parlamento. Colocar o PCP de lado significa abrir a torneira da contestação dos sindicatos da CGTP, mais ainda do que tem acontecido - mas significa também tomar medidas, por exemplo na Educação, sem ter de aceitar o "diktat" de Mário Nogueira. Uma facção importante do PS, e que provavelmente será reforçada em futuro Executivo, sente-se mais próxima do Bloco que do PC. A questão está em saber se Costa quer já dar palco à geração que lhe sucederá no PS, arriscando romper com os comunistas, que assim ficarão politicamente fragilizados, ainda por cima num cenário de queda eleitoral. O dia seguinte às eleições de Outubro promete ser interessante. Como será a nova carroçaria da geringonça?

Semanada

A produção das fábricas portuguesas caiu 5,8% em junho, face ao mesmo mês do ano passado, completando assim o oitavo mês consecutivo de descidas homólogas em Portugal, 89% dos consumidores assume gostar de comprar e experimentar novas marcas e produtos, e quase metade dos portugueses afirmam que agora é mais provável que experimentem novas marcas do que há 5 anos  em 2018, foram constituídas 43.613 empresas, o valor mais elevado desde 2014, e foram dissolvidas um total de 35.578 empresas, mais do dobro do registado no ano precedente  segundo o estudo TGI da Marktest, 52,7% dos homens refere ter lido pelo menos um livro nos últimos 12 meses e, entre as mulheres, a percentagem sobe para 68.2% o mesmo estudo mostra ainda que 53,8% dos portugueses referem ter adquirido pelo menos um livro nos últimos 12 meses segundo o Eurostat, 41,3% dos portugueses não conseguia, no ano passado, pagar uma semana de férias fora de casa por ano, pior do que a média da União Europeia, que é 28,3% este ano, os hotéis para animais em Portugal estão com a lotação praticamente esgotada; segundo o Banco de Portugal, o total do crédito concedido pelos bancos às famílias e às empresas aumentou 380 milhões de euros em junho face a maio, somando 192.916 milhões de euros Manuel Salgado anunciou que deixará de ser vereador na câmara de Lisboa e disse que pretende continuar a presidir à Sociedade de Reabilitação Urbana.

Dixit
"A cidade está a transformar-se numa cidade apenas para ricos e turistas. A sua população está a ser expulsa a uma velocidade absolutamente incrível."
Fernando Nunes da Silvaprofessor universitário e especialista em Urbanismo (sobre a política da Câmara Municipal de Lisboa)

Mistério
Vilborg Yrsa Sigurðardóttir é uma escritora islandesa de romances policiais e ficção infantil que escreve desde 1998. Engenheira de formação, vive em Reiquejavique e a sua actividade profissional é precisamente a direcção de uma das maiores empresas islandesas de engenharia. "Abismo", agora editado em Portugal pela Quetzal, é o segundo volume da série DNA, iniciada no ano passado com "O Legado", que consagrou a dupla formada pelo detetive Huldar e a psicóloga infantil Freyja. O novo policial da islandesa Yrsa Sigurdardóttir, com tradução de José Vieira Lima, conta a história do aparecimento de uma cápsula do tempo, 12 anos após a violação e o assassínio de uma rapariga em Hafnarfjördur. Dentro da cápsula são encontradas cartas escritas por crianças que, em idade escolar, imaginam como será a Islândia em 2016, e o que acontecerá nesse ano. Mas, no meio delas, é encontrada uma mensagem anónima, com uma lista de iniciais das pessoas que virão a ser assassinadas no mesmo ano. Só quando partes de corpos recentemente decepados começam a ser descobertas nos sítios mais insólitos é que surge a hipótese de que estas possam estar relacionadas com os nomes da lista e com um crime antigo a que se seguiu outro crime. A acção do livro começa em 2004, termina mais de uma década depois e a sua edição original é de 2015. Um policial daqueles que não se consegue largar até à última página.

Era uma vez
Enquanto o filme não estreia por cá, aproveitei umas viagens maiores de carro para ouvir a banda sonora de "Once Upon A Time In Hollywood", a nova e polémica obra de Quentin Tarantino com Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Segundo Mary Ramos, que tem trabalhado com Tarantino em diversos filmes, o processo de seleção da música começa sempre numa sala onde o realizador tem a sua enorme colecção de discos, maioritariamente LP’s em vinil, com tudo classificado por género, desde soul music a bandas sonoras. Segundo Mary Ramos, Tarantino não queria que nenhuma da música da banda sonora fosse muito distante do ano em que a acção do filme decorre, 1969. Para Tarantino, podiam usar-se algumas gravações de anos anteriores, mas nada posterior a 1969 - e recusou várias ofertas de intérpretes, como Lana Del Rey, que se propunham gravar novas versões de temas que seriam usados. Deep Purple, Simon & Garfunkel, Neil Diamond, Paul Revere & the Raiders, the Bob Seger System e Vanilla Fudge são alguns dos nomes escolhidos pelo próprio Tarantino entre os 22 temas que fazem parte da banda sonora já disponível no Spotify. Além desses 22 temas, há ainda nove anúncios publicitários radiofónicos da época em que o filme se passa. Além dos já citados intérpretes, a banda sonora, editada digitalmente, em vinil e em CD, inclui nomes como Chad & Jeremy, Roy Head & the Traits, the Vintage Callers, Buchanan Brothers, the Box Tops, Mitch Ryder and the Detroit Wheels, Buffy Sainte-Marie, Los Bravos, Dee Clark, Robert Corff e Jose Feliciano, entre outros.

Boa notícia
Desde 2015, ano em que foi iniciado o tratamento da Hepatite C com antivirais de ação directa, já ficaram curados cerca de 14 mil doentes em Portugal, e outros tantos estão a receber tratamento.

O Leão de Ouro Alentejano
Visitar arquitectura vivida pode ser uma experiência fantástica. Visitar uma recuperação em ambiente rural, feita com o objectivo de tornar o local num alojamento de excelência, é ainda mais aliciante. Já tinha lido bastante e ouvido muito sobre o trabalho do arquitecto Souto de Moura na Herdade de São Lourenço do Barrocal, mas só agora pude visitá-lo e vivê-lo. Com este projecto, Souto de Moura ganhou o Leão de Ouro na Bienal de Arquitectura de Veneza e é extraordinária a forma como recuperou edifícios ancestrais, desde a adega ao celeiro, passando por alojamentos de trabalhadores rurais. Conseguiu um resultado onde a simplicidade se conjuga com a qualidade, algo que é muito difícil de atingir. No desenho de todo o ambiente, nos arranjos exteriores, nos materiais utilizados, nas zonas de lazer, nos espaços comuns, o resultado é acima do que se podia esperar. Não há coisas supérfluas nem descabidas. Tudo está na dose certa no lugar certo, a lembrar e a respeitar um tempo passado, mas a torná-lo possível e adequado ao presente, sem ser excessivo um só momento. Claro que o trabalho de Ana Anahory e Joana Astolfi nos interiores ajuda à recuperação da História do lugar e tem um contributo decisivo para o conforto e intimidade do local. São Lourenço do Barrocal foi pensado e desenvolvido ao longo de mais de uma década por José António Uva, que personifica a oitava geração familiar na propriedade. Não conheço em Portugal outro lugar assim, onde se respeita a tradição e se permite o futuro. É uma obra de arte, que bem merece o prémio que Souto Moura recebeu em Veneza.

Um restaurante a evitar
Tsukiji, o grande mercado de peixes de Tóquio, não merecia ver o seu nome ser utilizado num restaurante que desmerece a sabedoria da arte de receber japonesa. E, no entanto, o seu responsável é Paulo Morais, que devia saber o que faz e como se faz. O restaurante Tsukiji, em Belém, é um acto falhado, um caso em que o guarda-roupa é melhor que os cenários e ambos são melhores que a representação. Uma das coisas que mais me irrita num restaurante é um cliente com reserva chegar à hora aprazada e ser convidado a ir para o bar, na esperança de algum consumo, sendo claro que há várias mesas livres e prontas - e que é, aliás, para uma delas que o desditoso cliente é encaminhado, quando se torna evidente que apenas quer jantar. A coisa agrava-se quando, no final, a conta é inopinadamente agravada em 20 euros por um engano que, quando detectado, claro que suscita as maiores desculpas. O restaurante novo de Paulo Morais joga, pois, na carteira dos clientes mais do que na oferta gastronómica - vulgar, sem nada de relevo, até nem no corte do sashimi se encontra uma boa surpresa. O serviço é desatento, apesar de o número de empregados ser elevado, o chefe de sala é distraído e ausente, os cortinados e o macramé do bar dão um toque de falhado pretensiosismo ao local. Adequado a turistas que não voltarão lá mais, desadequado a portugueses que procurem cozinha oriental e bom serviço e que queiram locais onde possam repetir uma boa experiência.

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