Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 29 de janeiro de 2019 às 18:45

O racismo…

Começar a usar argumentos da cor de pele para atacar outros, para tentar ganhar espaço mediático ou para tentar calar outras pessoas não me parece ser o caminho certo.

Olhando para o caso dos EUA, ainda há pouco tempo lia como era curioso ver como uma superioridade física dos africanos os levou a serem escolhidos como mão de obra escrava há uns séculos (assim como no Brasil e em partes da América Central). Na realidade, em plantações de várias partes dos EUA havia doenças como a malária. Daí que os africanos, com alguma imunidade à mesma, eram a mão de obra mais adequada para aí trabalhar. Ou seja, a sua superioridade física acabou por os "trair". Para além disso, também a existência de um mercado de escravos em África e a relativa proximidade dos EUA (face por exemplo a asiáticos) contribuíram para a escolha dos africanos.

 

Contudo, para não se justificar a decisão sobre a escravidão de africanos nos EUA com base em argumentos "económicos" e potencialmente percecionados como injustos, tentaram criar-se justificações, como os negros serem menos inteligentes ou terem pior higiene e daí serem portadores de mais doenças. Infelizmente, estes mitos foram-se enraizando, criando-se um círculo vicioso em que o facto de os negros terem menos acesso a boa educação e condições de vida e de saúde os prejudicava face aos brancos, o que ajudava ao argumento destes de que os negros eram inferiores aos brancos. Até a cultura estética se baseava no branco, sendo os critérios de beleza baseados nas feições deste.

 

Felizmente, a situação tem melhorado nos EUA, e noutros países, e espero que continuemos a caminhar para uma melhor relação inter-racial. Ao longo da sua história, Portugal tem sido apontado por muitos como um bom exemplo, e não queremos deixar de o ser.

 

Começar a usar argumentos da cor de pele para atacar outros, para tentar ganhar espaço mediático ou para tentar calar outras pessoas não me parece ser o caminho certo. Generalizar opiniões sobre o racismo de certas classes socioprofissionais ou outros grupos com base numa amostra reduzida de pessoas, também não o é.

 

O caminho deve ser o de tolerância, respeito e igualdade de oportunidades, com base no sistema legal português (e nas suas forças de segurança), que obviamente poderá ser ajustado, se e quando necessário.

 

É importante que todos procurem defender os seus interesses e combater o racismo, respeitando a lei e a ordem. Incitar ao confronto e ao ódio não me parece ser do interesse dos portugueses, independentemente da cor de pele de cada um. Mas estou convencido de que os portugueses sabem isso…

 

Gestor e Docente Universitário

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