Fernando  Sobral
Fernando Sobral 05 de março de 2018 às 19:14

O sonho de Xi Jinping

Hoje Xi Jinping tem um vasto poder. O Presidente da República Popular da China é também o secretário-geral do Partido Comunista Chinês. E, na China, a relação entre o mundo da política e da economia é muito estreita.

Xi Jinping passou a controlar o tempo político na China. Tem agora nas mãos a possibilidade de concretizar a sua visão de longo prazo mesmo que o fim da limitação de mandatos suscite algumas reservas sobre a prevenção de eventuais abusos de poder. Sabe-se que o poder do Presidente, na China, é mais simbólico do que real, já que as rédeas que determinam as políticas estão nas mãos do secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC). Xi Jinping tem um "sonho" para a China. E quer realizá-lo. Além disso quer ficar na História chinesa como alguns dos seus mais conhecidos antecessores. Por outro lado, no meio da sua longa campanha anticorrupção, deseja o rejuvenescimento do PCC, implicando isso também uma reforma da sociedade e da economia chinesa, além de reforçar o papel da potência no mundo. Sem algumas reformas que quer implementar, a China desaproveitaria o seu potencial. No seu segundo mandato, o tempo de Xi estava a esgotar-se. E começava a tentar adivinhar-se quem poderia ser o seu sucessor. Assim essa dúvida dissipa-se e o PCC só tem de pensar nas reformas em vez de estar focado em eventuais lutas de poder. Xi Jinping terá boas intenções ao acabar com a limitação de mandatos. Mas isso pode trazer outras consequências menos benignas. Há quem não esqueça ao que levou a Revolução Cultural no auge do poder absoluto. Quando Deng Xiaping introduziu os limites de poder isso tinha uma razão óbvia, e histórica, de ser.

Hoje Xi Jinping tem um vasto poder. O Presidente da República Popular da China é também o secretário-geral do PCC. E, na China, a relação entre o mundo da política e da economia é muito estreita. Muitos dirigentes do PCC ocupam lugares centrais nas principais empresas estatais. E a política da China no mundo continua a ser a economia. Xi Jinping quer surgir como o homem do "sonho chinês". Filho de um revolucionário e fundador do PCC, Xi Zhongxun, assistiu ao afastamento deste do cargo de vice-primeiro-ministro em 1962, pouco antes da Revolução Cultural. Com 15 anos, Xi foi enviado para ser "reeducado" numa remota vila, durante sete anos. Viria depois a estudar Engenharia Química na Universidade Tsinghua em Pequim. Casou com uma conhecida cantora de folclore (e também actriz e general do exército chinês), Peng Liyuan. Um casamento de sonho. Em 2007, tornou-se o representante do PCC em Xangai e tornou-se vice-presidente no ano seguinte. Quando tomou posse como Presidente da China, Xi anunciou desde logo que iria lutar para "o grande renascimento da nação chinesa". E esse parece o seu foco desde então. Mas ele representa sobretudo uma mudança geracional. Entre os seis Presidentes da República Popular da China até hoje, Xi é o primeiro que nasceu após a revolução.

 

O Qatar sobrevive ao cerco

 

No meio de um Médio Oriente em profunda ebulição, da Síria ao Iémen, tem ficado esquecido o cerco imposto pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egipto ao Qatar há oito meses. A tentativa de isolamento não resultou e pelo contrário fez com que as relações do Qatar com a Turquia e o Irão se tenham desenvolvido. Ao mesmo tempo que colocaram em causa o normal funcionamento do Conselho do Golfo. O bloqueio não parece ter atingido os seus objectivos, apesar da não muita discreta actuação americana no caso. Entre os objectivos dos países que tomaram a iniciativa estavam o corte de relações com o Irão, o fecho da base militar turca no Qatar e da relação com grupos como a Irmandade Muçulmana e o fim do canal Al-Jazera. Nada disso aconteceu e pelo contrário, apesar das tentativas de desestabilização, parece que o poder do emir Tamim bin Hamad Al Thani se reforçou internamente. A posição dos EUA ficou mais frágil: Donald Trump escolheu Riade como seu elemento de referência na zona, algo que permitiu ao príncipe herdeiro da Arábia Saudita várias aventuras, como a do Qatar, ou a guerra do Iémen e a tentativa de desestabilização do Líbano. Até Washington parece agora querer que se encontre uma solução para o problema. Embora não seja fácil: ninguém quer perder a face no processo. Quando foi iniciado o bloqueio terrestre, marítimo e aéreo, em Junho de 2017, Riade julgava que a economia qatari colapsaria rapidamente. No início parecia que isso iria acontecer: as importações qataris caíram 40% e os investidores internacionais começaram a tirar dinheiro do país. Mas, sustentados nas suas fortes reservas de gás natural os dirigentes do Qatar injectaram cerca de 38,5 mil milhões de dólares na economia durante nesses meses críticos, segundo dados da agência Moody's. E novas rotas comerciais através da Turquia e do Irão foram estabelecidas. Desde então a economia qatari, incluindo o mais sensível sector financeiro, recomeçou a estabilizar. E a segurança foi reforçada, com a Turquia a despachar para sua base militar no Qatar mais tropas que evitaram qualquer tentativa de agressão externa.

 

Macau: receita cresce

 

A receita bruta do jogo nos casinos de Macau registou uma variação positiva de 5,7% em Fevereiro para um valor de 24.300 milhões de patacas (3.037 milhões de dólares). A taxa de crescimento registada no segundo mês de 2018 compara negativamente com a verificada em Janeiro, mês em que a receita bruta registou um aumento de 36,4% quando comparada com a contabilizada no período homólogo de 2017 - 26.260 milhões de patacas contra 19.255 milhões de patacas. Em termos acumulados, a receita bruta dos jogos de fortuna e azar aumentou 19,7% para 50.560 milhões de patacas (6.320 milhões de dólares), de acordo com os dados divulgados pela DICJ.

 

Omã: centro de diálogo

 

Omã continua a ser um centro de diálogo entre as nações sunitas e xiitas da região, sendo visto como uma ponte entre diferentes partes conflituantes no Médio Oriente. É neste contexto que se entende melhor o recente encontro em Teerão entre o ministro do Turismo de Omã, Ahmed bin Nasser al-Meherzi, e o vice-presidente do Irão, Asghar Mounesan. A questão do potencial turístico do sultanato e o lançamento de rotas marítimas entre Omã e outros países, e o património cultural das duas nações estiveram entre os temas em discussão.

 

China/Cabo Verde: mais cooperação

 

Responsáveis da Câmara de Comércio do Barlavento (CCB) e da Associação de Amizade Cabo Verde-China (Amicachi) prometeram "trabalhar juntos" para reforçar a cooperação empresarial entre a China e Cabo Verde, tendo celebrado um protocolo nesse sentido. O presidente da Amicachi, José Correia, disse que o objectivo é partilhar o conhecimento que a associação detém da realidade chinesa e suas oportunidades e conhecer as expectativas dos empresários cabo-verdianos em relação à China, reconhecendo, embora, que existem "grandes oportunidades", mas também desafios nessa cooperação. No decurso do fórum sobre Relações Económicas e Comerciais Cabo Verde - China, que encerrou, no Mindelo, a semana cultural chinesa em Cabo Verde, José Correia sugeriu que Cabo Verde deve posicionar-se "desde já" para aproveitar a "grande iniciativa" chinesa que é a "nova Rota da Seda."

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