João Quadros
João Quadros 29 de novembro de 2013 às 10:24

O velhaco do Restelo

Portas tem um novo amor: as exportações. Temos mais uma versão do líder do PP. Agora, é o Paulinho das Feiras Internacionais.

 

"Mas (segundo o que o Céu me tem mostrado) já sei que deste meu buscar ventura, achado tenho já, que não a tenho."
Luís de Camões

 


Portas tem um novo amor: as exportações. Temos mais uma versão do líder do PP. Agora, é o Paulinho das Feiras Internacionais. Esta semana, questionado sobre as "invasões dos Ministérios" disse: "Uns dedicam-se às exportações e outros a manifestarem-se". Acho que uma coisa não exclui a a outra. A verdade é que, no governo, Portas dedicou-se a ambas e com conhecido sucesso.


Portas tem um novo discurso. Depois da epopeia que foi parir a "reforma do estado", o vice-PM continua a usar metáforas e compara os Exportadores Portugueses aos Navegadores dos Descobrimentos. - "Costumo dizer que o Portugal exportador é uma boa continuação do Portugal navegador - diz (a reportagem da TSF) que "no passado eram as caravelas e na actualidade levam apenas os passaportes, os tablets, a competência e o know how" - e problemas de próstata em vez de escorbuto, acrescentaria eu, que adoro metáforas com os Descobrimentos. Ainda assim, tenho sempre algum receio quando começam com a conversa das caravelas, porque normalmente é porque vem aí outra vez o TGV.


Diz o vice-primeiro-ministro que as semelhanças são evidentes, em ambos os casos estamos perante pessoas que vão mais longe, que não sabem se à chegada vão poder fazer aquilo que querem - "não sabem como vão ser recebidas" - mas arriscam, sem medo... quase me atrevo a dizer que as pessoas que ocuparam os Ministérios são os novos navegadores.


Diz o líder do PP. "As exportações foram e serão uma luz que vai à frente para ultrapassar esse período. As empresas exportadoras são o orgulho de Portugal." Portas quer escrever Os Lusíadas das Exportações. Espero que não seja no mesmo tamanho de letra que o guião da reforma do Estado, senão não cabe na Torre do Tombo. Para nosso bem, esperemos que ele não esteja a contar com Passos Coelho para o "Cantando espalharei por toda a parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte." Digo, para nosso bem, e nem é pelo "engenho e arte".


Confesso que sou um leigo em termos de Lusíadas. Gosto de Camões mas tenho a teoria de que ele era pirómano. A meu ver, na lírica camoniana há demasiadas referências a fogos. Seja como for, posso tentar dar a minha fraca contribuição, com ideias avulso, para a construção da obra que narra esta nova epopeia.


Acho que podemos começar por narrar a venda das caravelas ao Efromovich, mas fica complicado rimar com vich. Vejam lá se soa bem: "vender produtos derivados do tomate para além da Taprobana". Depois até podemos rimar com - da Madeira a pequena banana - Estamos todos de acordo que o Adamastor das exportações é o Machete. Na minha ideia, no Canto I há um Concílio dos Deuses em Bruxelas, onde Baco, de cadeira de rodas, conspira contra nós. Na minha versão, a Galp é o nosso Vasco da Gama, o Infante é da Super-Bock e o Cabo das Tormentas é em casa. O meu Canto IX, dos Lusíadas dos Exportadores, passa-se no Elefante Branco, e a obra termina com uma estrofe sobre a inveja dos angolanos. Fim.

 

 

 

 

TOP 5
Navegantes


 1  Manifestação de forças de segurança invade escadas da Assembleia da República - Pela explicação da polícia, só deixaram passar as escadas de acesso à Assembleia porque eram pessoas que estavam armadas... só dão ideias.


 2  Petição Pública pede prisão para Presidente do Sporting por ter dito que se devia tirar o encarnado da bandeira portuguesa - Parece-me bem a bandeira de Portugal toda verde - há pessoas que desmaiam ao ver sangue, mesmo que de forma metafórica.


 3  Dezenas de personalidades na homenagem a Ramalho Eanes em Lisboa - Vi Ramalho Eanes a chorar, estão a dar cabo das minhas memórias da revolução. Ainda vamos ver o Vasco Lourenço ameaçar o governo com uma luta de almofadas.


 4  Vasco Graça Moura, na sua crónica desta semana no DN, mostra-se indignado por causa dos polícias que não cumprem a lei e as ordens superiores - parece que insistem em escrever policia com PH.


 5  Presidente da AR diz que manifestações são "uma ofensa" e está a elaborar um estudo para avaliar como é feito o acesso do público aos Parlamentos dos outros países - e quantos presidentes de parlamento é que recebem reforma.

 

 

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