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O asno europeu

A Europa é hoje a réplica perfeita do asno de Buridan, o iluminado filósofo francês.

A Europa é hoje a réplica perfeita do asno de Buridan, o iluminado filósofo francês. Segundo Buridan, um asno, colocado à mesma distância de dois fardos de palha, não conseguiria decidir qual comer primeiro e morreria de fome. A UE transformou-se no asno de Buridan: incapaz de decidir, vai perecer esquelética. O asno europeu, aliado ao rebentamento da bolha dos "hedge funds" e à crise das dívidas soberanas, criou esta ambiguidade destruidora. O problema é que o núcleo político e os chamados mercados correm a diferentes velocidades. E a Europa parece uma tartaruga ao pé do veloz Speedy Gonzalez dos mercados. O drama de Portugal é maior: a dívida grita por austeridade. Mas se não houver crescimento económico, os políticos de serviço estarão a comprar uma corda para se enforcarem. E se concordarem com todas as imposições externas que vão levar a que tenhamos de abrir mais um furo no cinto de três em três meses, o seu futuro político será um lento suicídio. O Governo pode, com coragem, conseguir triunfos privados na luta contra a dívida e o défice. Mas essa luta só será vitoriosa até ao momento em que os contribuintes não se transformem em fantasmas pelintras. Ou seja: a austeridade só funcionará se, a prazo, existir uma retoma económica credível. Vamos ficar mais pobres mas ninguém quer imaginar que a sociedade portuguesa se transforme num imenso bairro da lata com faixas reservadas para entreposto turístico. Não se consegue convencer o asno europeu com cenouras. Só lá vai com um pingalim. Mas, por cá, Passos Coelho não se pode dar ao luxo de esperar para ver.

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