Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Opinião
Francisco Murteira Nabo 21 de Junho de 2016 às 00:01

O Brexit, uma oportunidade para a Europa

Durante o meu período de "formação ao longo da vida" tive a oportunidade de participar em vários "meetings" de formação moderados por Peter Drucker, que acabou por ser um dos meus mentores.

  • Assine já 1€/1 mês
  • 1
  • ...

Aprendi com ele três questões (ou reflexões) que vieram a revelar-se determinantes ao longo da minha vida, como profissional da gestão: a primeira é a de que a nossa empresa deve ser sempre mais inovadora do que a dos nossos concorrentes; a segunda é a de que os melhores profissionais não devem estar nos nossos concorrentes; e a terceira é a de que é nas crises que surgem as melhores oportunidades. É sobre esta terceira questão que hoje gostaria de tratar, relacionando-a com o Referendo sobre a eventual saída da Grã-Bretanha do projeto europeu (conhecido por Brexit), que vai ocorrer dentro de dias.


Todos temos hoje a lucidez de perceber que apesar do inconsequente discurso político o projeto de construção de uma verdadeira União Europeia está "a patinar" há já alguns anos. Podemos discordar das razões que têm conduzido a esta frustração, mas é demasiado evidente que o projeto europeu está à beira da desagregação. A eventual saída da Grã-Bretanha da UE pela vitória do Brexit, tal como a questão dos refugiados, não são mais do que "a gota de água que vem entornar o copo." Por isso a Europa das duas uma: ou assume o fim do projeto (disfarçando como puder, como de resto tem vindo a fazer) ou aproveita a oportunidade para relançar o projeto europeu como foi desenhado e que, europeístas como como eu, a tanto aspiram.

E é aqui que entra a questão levantada por Peter Drucker: na gestão a experiência recomenda que em situações de crise é no aproveitamento da oportunidade que está o ganho e não na "lamentação" e no "fingimento" de que nada se passa, ou seja, é na teoria da "destruição criativa" do Schumpeter que está a solução tendo, como dizia Schumpeter, a coragem de deixar cair o que esta envelhecido (e começa a não ter mercado) e apostando em novas soluções ou produtos que aumentem a competitividade empresarial.

Creio que o Brexit vai ganhar e a Grã-Bretanha saíra do projeto europeu, mas também acredito que o mais prejudicado com isso será a Grã-Bretanha se (e só se) a Europa reagir acelerando a construção de uma verdadeira União Europeia, porque por um lado os potenciais efeitos, quer económicos quer políticos, sobre uma eventual desagregação do Reino Unido serão certamente elevados e, por outro, se Europa não reagir positivamente, desagregando-se, o futuro da Europa como projeto visionário estará também em causa.

Se tal acontecer não deixará de ser curioso que um Reino unido contribua para que uma União da Europa não se concretize. Compete-nos evitar que tal aconteça, por isso apelo a que a Europa tenha a lucidez suficiente para avançar de vez com a construção da união europeia. Se assim não for, como europeísta convicto que sempre fui, dificilmente me perdoarei de não ter sido capaz de construir um melhor mundo para os meus filhos e neta! 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Ver comentários
Mais artigos do Autor
Ver mais
Mais lidas
Outras Notícias