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O Bull Market… dos outros

Quem acompanha o mercado português, pode até ser levado a pensar que os últimos anos têm sido difíceis para a maior parte dos mercados mundiais.

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Pura ilusão. As principais Bolsas mundiais, desde a Primavera de 2009, têm vivido anos de prosperidade, apesar de toda a delicada conjuntura económica.

No artigo de hoje, irei centrar as minhas atenções sobre o mercado norte-americano, tomando como referência o S&P 500, o índice mais representativo da economia norte-americano. Não será, certamente o índice mais mediático (Nasdaq e Dow Jones continuam a digladiarem-se por esse troféu) mas é o mais representativo e os contratos de futuro sobre este índice são os mais líquidos do mundo.

Apesar destes dois anos de subidas, os últimos dois meses têm sido de quedas. O final dos estímulos da Reserva Federal Norte-americana (FED) bem como o agudizar dos problemas europeus, provocaram uma pressão vendedora e são muitos aqueles que entendem que se iniciou um novo "Bear Market". Eu não seria tão rápido a decretar a morte de um "Bull Market" que leva dois anos e que tem resistido, de forma notável, a um turbilhão de más notícias sobre a economia mundial.

Se olharmos para o gráfico de longo prazo, poderemos verificar que a actual correcção, apesar de parecer violenta no curto prazo (muitas acções tecnológicas caíram cerca de 30% nos últimos 2 meses, antes da recuperação da semana passada), é uma retracção normal num "Bull Market" e, durante estes dois anos, o índice já viveu situações análogas. Mas, dada a violência das quedas, nem sempre os investidores conseguem alhear-se desses movimentos dolorosos para se centrarem na "Big Picture".

É evidente que, um dia, uma retracção como esta será o final do "Bull Market" e o início de um "Bull Market". E, nesse dia, quem segue a tendência perderá dinheiro. É esse o calcanhar de Aquiles dos seguidores de tendência mas que, mesmo assim, é compensado pelo acumular de mais valias durante essa mesma tendência.

E que sinal de fraqueza poderá levar-me a concluir pelo final do actual "Bull Market"? O primeiro grande indício seria a quebra da importante zona de suporte entre os 1210 e os 1220 pontos. Seria um indício que, apesar de não ser definitivo para decretarmos o final do domínio dos touros, deverá ser suficiente para se fechar todas as posições longas e assumirmos, pelo menos, uma postura mais neutral. Provavelmente, só mesmo uma ruptura da zona de suporte entre os 1040 e os 1060 pontos seria o sinal definitivo de que estaríamos já num novo "Bear Market", mas seria já demasiado tarde para fecharmos as posições longas.

Por isso, enquanto aquela zona de suporte entre os 1210 e os 1220 pontos for aguentando, acredito que as retracções são boas oportunidades de entrada, mesmo que pareça que o mundo está a desabar. Até porque, na verdade, somos muito influenciados pela realidade em que vivemos e o que se passa no nosso país é tudo menos encorajador.

Mais do que as notícias sobre a crise grega, aquilo que mais influenciará o mercado norte-americano continuará a ser as notícias sobre a economia chinesa que tem sido o verdadeiro motor da recuperação norte-americana. Esta crise mundial trouxe novos actores ao palco e alguns deles assumem o papel de protagonismo.

Há vida para além da crise portuguesa. E, por mais que nos custe a admitir, os principais mercados mundiais continuam a viver o seu "Bull Market". Se calhar, ao contrário do que muitos políticos portugueses afirmam, a culpa não será apenas da crise internacional. Mas é sempre mais fácil dizer que a culpa é dos outros. Siga o "Bull Market"… lá fora.

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Analista Dif Brokers
ulisses.pereira@difbroker.com

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