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Sérgio Figueiredo 21 de Julho de 2004 às 13:59

O caso do director-geral

Margareth Thatcher teve um problema parecido, quando o seu Governo contratou um gestor, pago a peso de ouro, para a presidência da British Steel - um verdadeiro cancro financeiro. Perante a Câmara dos Comuns, a Dama de Ferro, a original, foi submetida a u

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Margareth Thatcher teve um problema parecido, quando o seu Governo contratou um gestor, pago a peso de ouro, para a presidência da British Steel - um verdadeiro cancro financeiro.

Perante a Câmara dos Comuns, a Dama de Ferro, a original, foi submetida a um fogo cruzado dos deputados da oposição trabalhista. Argumentos?

O nível do salário era um insulto a todos os servidores do Estado, porque a função pública britânica também atravessava um processo de aperto salarial violento.

Além disso era aviltante para o contribuinte, porque aquela empresa era um autêntico cadáver financeiro e só sobrevivia com avultadas transferências orçamentais do Estado. Finalmente, havia suspeições de nepotismo.

A senhora Thatcher respondeu o seguinte: o gestor foi recrutado num processo de  «executive search» entre cinco candidatos; a sua remuneração era efectivamente elevada, mas condicionada à obtenção de resultados pré-fixados; e, cumprindo objectivos, um ano da folha salarial do dito CEO era igual a uma semana de prejuízos da empresa.

Como é óbvio, o assunto ficou ali morto e enterrado. Que diferenças esta história tão parecida com a do nosso director-geral de Impostos afinal apresenta? Todas. As essenciais.

O doutor Paulo Macedo foi recrutado pelo nosso Estado não se sabe como.

O doutor Paulo Macedo recebe o que provavelmente merece, mas não se sabe em função de quê - quais são os objectivos ou sequer se existem.

O doutor Paulo Macedo recebe aquilo que se sabe, mas não se sabe porque é que recebe aquilo - o Ministério das Finanças explicou o  «salto» de 33% que o seu vencimento sofreu nas vésperas da requisição, como um  «prémio» pela boa gestão nas empresas que ele administrava no Grupo BCP.

Ao contrário da sua  «sósia», a doutora Ferreira Leite não avaliou bem a situação e acabou por apagar a fogueira com gasolina.

Enquanto trocava insultos com o deputado Cabrita no Parlamento, o seu novo director-geral andava a trabalhar sem ter tomado posse.

Depois de ter permitido que esta situação, já de si bizarra, se arrastasse por dois meses, a tomada de posse finalmente aconteceu.

No pior momento, porque no dia em que Barroso oficializou a queda do Governo. Nas piores circunstâncias, porque às escondidas num gabinete do Ministério, numa cerimónia sem convidados, nem testemunhas.

A enorme diferença entre a história do gestor público britânico e a história do director-geral português é, afinal, fácil de explicar: enquanto que Thatcher protegia o seu subordinado, Ferreira Leite transformava o seu num suspeito.

Bagão Félix tem motivos para substituir o doutor Macedo quando e como entender. São os mesmos motivos que deveriam ter aconselhado a anterior ministra a não realizar uma posse à socapa - e, ainda por cima, no exacto dia emque teve a certeza de que iria sair do Governo.

Assim, deixa-nos pensar que Macedo não era competente para o lugar. E, pelos vistos, até era.

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