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Pedro Santos Guerreiro psg@negocios.pt 10 de Fevereiro de 2004 às 14:51

O crédito que um compromisso merece

É hoje. Chama-se “Compromisso Portugal”, é um movimento gerado por algumas dezenas – e envolvendo algumas centenas – de decisores, todos eles preocupados com o rumo económico do país.

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Não o défice, não as finanças públicas, não a ministra Ferreira Leite. Mas sim as empresas, a competitividade, a capacidade de afirmação externa e de sobrevivência interna. E não, também não se está a falar para o ministro Carlos Tavares. Está-se a falar sobre a estratégia nacional para a microeconomia. Está-se a falar para a comunidade empresarial mas também para Durão Barroso e, se quisermos ser presunçosos, para José Maria Aznar. E fala-se com eles na sua ausência. Aqui, ministro não entra. Ouve de fora.

O Compromisso Portugal é necessário? É. Este movimento (que sucede e serve de alternativa ao “Manifesto dos 40”) nasce como revolta à desilusão de uns e à indiferença de outros; em vez de dizer mal do que fazemos, quer dar o grito do Ipiranga e propor soluções; em vez de acomodar-se na falta de esperança, rebela-se contra o triste fado do pequenino. Grande parte dos nossos gestores e empresários (e há mais gestores do que empresários neste Compromisso do que havia entre os 40 do Manifesto) não se revê nos políticos, eleitos ou nomeados, e acusa-os de falta de estratégia para as grandes empresas e sectores económicos. Um Estado ausente ou displicente ou incompetente. A quem falta de visão mas também concretização.

O Compromisso Portugal vai servir para quê? Pode ser um flop. Mais uma montanha a parir ratos. Muito barulho por nada. Uma rampa de lançamento para carreiras políticas. Um espelho-meu-há-alguém-mais-bonito-do-que-eu. Um fogo fátuo. Uma feira de vaidades. Uma inconsequência.

Mas também pode não ser nada disso. Ou ser qualquer coisa apesar disso. Ser hoje o “dia zero” de um movimento de afirmação de elites empresariais portuguesas, que cobram, que fazem, que querem. Mesmo sob um nome pouco feliz (“Nova Vaga” já estava ocupado...), esta iniciativa merece a nossa atenção e crédito. Mais: a merece a nossa boa vontade. Para isso, precisa de continuidade, de consequência, de alguma rebeldia e de espírito de missão. Que não é nacionalismo, como alguém quis já errar. É crer e é querer. É Portugal. Somos nós.

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